ROTEIRO DA ESCOLHA

Chegou a hora de escolher a escola, e agora?

Confira os principais pontos a ser levados em conta ao decidir onde matricular seu filho e entenda a importância de cada um deles no processo de aprendizado

Por Luiza Vieira

“Escola pequena ou grande? Waldorf ou montessoriana?” Essas são algumas das dúvidas que podem passar pela cabeça dos pais na hora de decidir onde matricular seus filhos. A indecisão é compreensível. Afinal, os primeiros 12 anos da vida de uma criança são vividos, em grande parte, na escola. Nesse ambiente, externo ao seio familiar, a criança é exposta a diferentes perspectivas e começa a construir sua própria consciência de mundo, adquirindo novos conhecimentos, estabelecendo novas relações e desenvolvendo valores sociais e coletivos.

Da mesma forma que a experiência escolar pode ser positiva e edificante, o oposto também pode ocorrer. A exposição prolongada a um ambiente desfavorável pode afetar diretamente o desenvolvimento do aluno, tanto do ponto de vista cognitivo como psicomotor e socioemocional. Pensando nisso, a escolha da instituição de ensino não deve se basear apenas no conteúdo transmitido ou no material didático. Essa é uma decisão multifatorial, que deve levar em conta os diversos pilares que sustentam a formação de um indivíduo, como segurança, saúde, relações interpessoais e oportunidades de aprendizado. Nesse contexto, cabe aos familiares analisar se a escola possui as pessoas, os recursos e as ferramentas necessários para que o estudante seja capaz de lidar com os desafios pertinentes a cada fase de sua vida. 

Esse processo, entretanto, não é simples. Encontrar uma instituição de ensino que se adapte às necessidades do aluno e da família como um todo é uma tarefa que exige pesquisa, tempo e dedicação, mas que, no fim, pode evitar dores de cabeça futuras e proporcionar uma experiência mais positiva para todos. 

Durante a jornada de escolha de uma escola, surgirão diversas dúvidas e receios, o que é comum. Uma dica para auxiliar nesse processo é elencar os pontos que são considerados primordiais para a educação do seu filho. Cada família terá uma lista própria. Afinal, cada situação é única, mas existem alguns temas básicos que sempre devem ser analisados, como os que apresentamos a seguir.

 

ORÇAMENTO
Antes de iniciar a procura por um colégio, é necessário analisar as finanças da família e definir um valor com o qual seja possível arcar durante todo o ano letivo. Dessa forma, é possível fazer uma seleção das escolas que se enquadram no orçamento, otimizando o processo de escolha. Vale lembrar que nessa conta, além da mensalidade escolar, devem estar incluídos gastos adicionais que fazem parte da educação da criança, como transporte, uniforme e material escolar.
Quando o assunto é educação, toda mãe e todo pai deseja investir o máximo nos filhos. Afinal, a experiência adquirida durante o ensino básico pode influenciar diretamente no desenvolvimento integral da criança. Mas é preciso ser realista em relação aos gastos que a família pode absorver. Muitas instituições de ensino possuem atividades extracurriculares que são cobradas à parte, como aulas de idiomas, teatro, música e esportes. No entanto, isso não quer dizer que são obrigatórias. Cabe aos responsáveis, então, identificar a real necessidade daquela atividade, considerando as características dos filhos, e verificar se o gasto adicional compensa os benefícios oferecidos.

 

VALORES E PRINCÍPIOS
Ao ingressar em uma escola pela primeira vez, a criança faz a passagem da vida privada para a vida coletiva. No âmbito escolar, a socialização é diferente da obtida em casa; são outras regras, novas dinâmicas de relacionamento e realidades distintas. Em paralelo ao ensino das disciplinas, ocorre o desenvolvimento de valores sociais e coletivos, o que se estende até a adolescência.
Tendo em vista a responsabilidade que a família e a escola possuem na formação integral dos estudantes, é fundamental que o colégio escolhido esteja alinhado aos valores praticados em casa. Além de diminuir as chances de futuros desentendimentos e insatisfações, entender a filosofia da escola dá uma segurança maior com relação à educação que a criança ou o jovem receberá.
Uma boa maneira de compreender o posicionamento da instituição de ensino em questões como bullying, religião e a relação com as famílias é através do projeto político-pedagógico, mais conhecido como PPP. O documento, obrigatório em todas as escolas segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), deve apresentar, com detalhes, a missão, visão e os valores da escola, além do material didático que será utilizado, os objetivos propostos ao longo do ano e as diretrizes pedagógicas que nortearão esse processo.

INFRAESTRUTURA

O espaço físico oferecido pela escola é um aspecto importante a ser considerado durante a jornada de escolha. Isso porque os recursos disponíveis no local podem influenciar no desempenho escolar do estudante, bem como no seu bem-estar e desenvolvimento socioemocional.
Um estudo da Universidade de Salford, na cidade de Manchester, no Reino Unido, realizado com 3.776 alunos do ensino fundamental, revelou como a infraestrutura física das salas de aula – da qualidade do ar à presença de luz e escolha de cores – impacta o aprendizado dos alunos. Segundo a análise dos pesquisadores, salas bem projetadas podem otimizar o progresso de aprendizagem dos estudantes em 16%.
Por outro lado, o desconforto provocado por calor ou falta de ventilação pode prejudicar a concentração das crianças, além de tornar o ambiente mais propício para a dispersão de vírus e bactérias – fator ainda mais importante em tempos de pandemia.
Áreas de lazer como jardins, pátio, parquinhos e quadras poliesportivas também são essenciais para promover o bem-estar e potencializar o desenvolvimento do aluno, independentemente da série em que ele se encontra.
Considerando o mundo hiperconectado em que vivemos, o acesso à internet e a computadores se torna um item básico no ambiente escolar. Entretanto, mais do que ter acesso, é necessário se informar também sobre a maneira como a tecnologia é trabalhada no processo de ensino-aprendizagem.

ALIMENTAÇÃO E ATIVIDADE FÍSICA
Visto que os estudantes passam grande parte do seu dia na escola, é fundamental avaliar de que forma a instituição incentiva a adoção de hábitos saudáveis, principalmente nos dias de hoje, com a alta incidência da obesidade infantil ao redor do mundo. Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional apontam o crescimento do problema no Brasil, na última década. Em 2010, 6,3% das crianças entre cinco e dez anos estavam obesas; já em 2020, o índice chegou a 9,5%. Com relação aos adolescentes, 19,87% apresentaram sobrepeso no ano passado, seis pontos porcentuais a mais que em 2010.
Em casos em que a escola oferece alimentação ou possui uma cantina, é importante verificar a variedade e a qualidade dos alimentos disponíveis. O ideal é que o cardápio seja balanceado, com a maior quantidade possível de alimentos in natura como frutas e legumes, e que evite os ultraprocessados como biscoitos e salgadinhos industrializados.
Assim como se alimentar bem, praticar exercícios é essencial para o desenvolvimento intelectual e físico dos alunos. Tanto que a disciplina de Educação Física faz parte da nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento elaborado pelo Ministério da Educação com o objetivo de nortear a educação básica brasileira. Além de sua importância para a saúde e bem-estar dos alunos, a prática de exercício possui um papel sociocultural fundamental no desenvolvimento do ser humano, ensinando valores como resiliência, superação e trabalho em equipe. Por isso, durante o processo de escolha de uma instituição, não deixe de verificar as condições que a escola oferece para as atividades físicas.

METODOLOGIA DE ENSINO
Normalmente, este é um ponto que costuma causar muita confusão nos familiares devido à complexidade e ao excesso de informações generalizadas sobre o tema. Existem diversas metodologias de ensino disponíveis, mas, no geral, há uma dificuldade em compreender como cada uma delas é aplicada no dia a dia da escola e os seus impactos no processo de aprendizado.
Antes de mais nada, é interessante entender a origem da palavra metodologia. O termo “método” vem do latim methodus que significa “o caminho para realização de algo”. Na educação, a metodologia refere-se ao trajeto escolhido pelos educadores para conduzir o processo de ensino-aprendizagem, bem como as técnicas, ferramentas e atividades que serão utilizadas para atingir tal objetivo.
Atualmente, os métodos de ensino mais utilizados nas escolas brasileiras são: tradicional, construtivista, sociointeracionista, Montessori, Waldorf e Freiriano. Vale ressaltar que não existe uma metodologia ideal para todos; um bom método para um aluno pode não ser a melhor escolha para outro. Portanto, a escolha da abordagem de ensino não é uma receita pronta e definitiva. Pelo contrário, é um processo delicado que deve levar em conta as características e circunstâncias de cada estudante, bem como do professor, da escola e da comunidade na qual ela está inserida.
Entender e analisar todos esses aspectos possibilitará que a decisão tomada seja mais assertiva e que atenda às necessidades e individualidades de cada pessoa. Ao clicar nesta reportagem [inserir link] você encontra detalhes sobre as principais metodologias de ensino usadas no País.

ESTUDOS DO MEIO E EVENTOS CULTURAIS
Tão importante quanto os conteúdos ensinados em sala de aula, são as atividades propostas fora dos muros da escola. Além de proporcionar momentos de lazer e descontração, a transferência do aprendizado para outros espaços e contextos culturais possibilita aos alunos uma percepção crítica da sociedade em que vivemos.
O estudo do meio é uma atividade que integra diversas áreas do conhecimento através da observação direta, da interação e da experiência, permitindo o desenvolvimento de novos conceitos e habilidades. Ao entrar em contato com diferentes ambientes culturais e históricos, com novos modos de vida, tecnologias e estilos artísticos, o estudante amplia suas perspectivas de mundo, adquirindo, ao mesmo tempo, habilidades como responsabilidade, respeito, autonomia, empatia e tolerância.
Entender a frequência com que a escola realiza esse tipo de atividade e de que forma ela é integrada ao currículo pedagógico diz muito sobre a maneira com que a instituição prepara os seus alunos para os desafios da sociedade.

 

 

Um colégio para todos
Um bom projeto de acessibilidade pode trazer benefícios para toda a comunidade escolar

Entre os direitos humanos, a educação é um benefício fundamental de todo indivíduo. Além de assegurar a gratuidade e a obrigatoriedade, as nações devem pautar a educação como pilar de sustentação na construção de novas mentalidades, conforme descrito na Declaração Universal dos Direitos Humanos, estabelecida em 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Nesse contexto, a escola é o espaço ideal para a formação integral do ser humano através de um pensamento coletivo, pautado na tolerância, na inclusão e no respeito às diversidades. Ao longo dos últimos anos, o Brasil tem adotado diferentes políticas com o objetivo de eliminar as barreiras e promover a acessibilidade em todos os níveis de ensino, como a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI).

Apesar de o Censo Escolar de 2019 apontar o aumento de 33,2% no número de matrículas de estudantes com deficiência de 2014 a 2018, ainda há um longo caminho a ser percorrido no que diz respeito à acessibilidade nas escolas. Menos da metade das instituições particulares (44,7%) possui dependências adequadas para pessoas com deficiência (PcD).
Promover a inclusão é uma iniciativa que inclui aspectos de infraestrutura (abordando a acessibilidade das edificações), de formação de professores e colaboradores, de práticas pedagógicas específicas, além de ferramentas de comunicação e de salas com recursos multifuncionais.
A adoção de uma educação acessível e inclusiva não beneficia apenas o aluno com deficiência, mas todas as crianças, semeando valores essenciais na busca por uma sociedade mais altruísta. Por isso, trata-se de um aspecto que merece ser analisado com atenção por todos os pais.

 

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