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Por Ana Pinto
Os resultados do Pisa 2025, programa internacional da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que avalia conhecimentos e habilidades de estudantes de 15 anos, divulgados em setembro de 2026, recolocaram em discussão os desafios da aprendizagem no Brasil. Segundo a análise, 72% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível mínimo de proficiência em matemática, 52% em ciências e 51% em leitura.
O debate sobre como enfrentar essas dificuldades também abre espaço para olhar o cotidiano de quem aprende. Júlia Barreto Murta, de 13 anos, aluna do 8º ano do Colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo (SP), encontrou nos professores apoio tanto para estudar quanto para se integrar à turma. “Sempre estiveram dispostos a me ajudar, tirar minhas dúvidas, explicar novamente quando necessário e acompanhar meu progresso.”
No campo das amizades, a estudante relata ter vivido um período de readaptação. No começo deste ano, ela ainda não havia construído os novos vínculos que hoje valoriza e o acompanhamento da orientação educacional a ajudou a encontrar um grupo com o qual se identificasse. “As novas amizades me fortaleceram em um momento em que eu estava passando por uma fase de readaptação.”
Confiança para pedir ajuda
Na avaliação de Meire Nocito, diretora institucional educacional do Porto Seguro, o professor pode perceber mudanças que nem sempre são verbalizadas pelos alunos, mas esse olhar deve se somar ao de orientadores, familiares e outros profissionais.
O apoio varia conforme a necessidade do aluno. Dificuldades de aprendizagem podem levar à monitoria; na socialização, a escola tem a opção de criar oportunidades de interação nos intervalos ou em trabalhos em grupo. Para quem acaba de chegar, o acolhimento começa antes do ingresso, pode incluir um aluno tutor e segue nas primeiras semanas. Após quatro semanas de aula, as famílias respondem a um questionário sobre a adaptação, e os novos estudantes se reúnem com as equipes da escola, que analisam essas informações com os professores.
As formas de acolher também acompanham o crescimento. “Nos primeiros anos, a presença e a mediação do adulto tendem a ser mais próximas. Conforme o aluno avança na trajetória escolar, a relação com os colegas, a autonomia e a possibilidade de assumir responsabilidades ganham mais espaço”, diz Meire.
Encontrar o próprio lugar
Nem todo desconforto precisa chegar espontaneamente aos adultos. Em algumas turmas, um questionário anônimo de convivência permite identificar situações que talvez não fossem relatadas diretamente, como um apelido incômodo, que pode motivar uma conversa sobre respeito e limites, sem expor quem relatou a situação.
Também importa oferecer diferentes possibilidades de participação, como atividades esportivas, de arte ou de gastronomia. Para Júlia, a escolha ficou por conta das aulas de teatro. “Encontrar um espaço em que posso fazer algo de que gosto, conhecer novas pessoas e me sentir confortável reforçou a sensação de que eu pertenço à escola.”
Encontrar uma escola em que o aluno se sinta parte também passa por uma escolha bem informada. O Guia de Colégios reúne informações sobre dezenas de milhares de escolas de todo o País, coletadas e organizadas pelo Melhor Escola. A ferramenta permite refinar a busca de acordo com o perfil de escola procurado.
“As novas amizades me fortaleceram em um momento em que eu estava passando por uma fase de readaptação”
Júlia Barreto Murta,
aluna do 8º ano do Colégio Visconde de Porto Seguro
Crédito: Tiago Queiroz/Estadão Blue Studio