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Novas regras para educação digital

BNCC Computação tem implementação obrigatória em 2026, com desafios de formação e de infraestrutura

25 de setembro de 2026

Por Alexandre Raith

Durante muito tempo a discussão sobre o uso de computadores nas escolas brasileiras se limitou a uma questão de acesso, ou seja, da disponibilidade desses equipamentos para os alunos. A partir deste ano, o nível de exigência aumentou. Não basta mais só oferecer computadores. As escolas passam a assumir a responsabilidade de preparar os estudantes para compreender como as tecnologias digitais funcionam, avaliar criticamente os impactos que elas provocam e ensinar a utilizá-las de forma ética e criativa, para resolver problemas da comunidade escolar e da sociedade.

A mudança é fruto de uma atualização da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), documento que orienta as escolas do País sobre o que os alunos devem aprender. Neste ano entrou em vigor a BNCC Computação, que complementa o documento original e foi homologada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2022.

O principal objetivo desse complemento é garantir que os alunos deixem de ocupar a posição de consumidores de recursos digitais para se tornarem protagonistas na criação de soluções e na produção de conhecimento.

Desafios para a implementação
A BNCC Computação prevê que os novos conteúdos se relacionem com as outras disciplinas, o que exige revisar o currículo e preparar os professores. “Sem capacitação, fica difícil esperar que os professores saibam como compatibilizar os seus conhecimentos disciplinares com o conhecimento necessário sobre o uso pedagógico dos recursos e tecnologias digitais”, diz Ivan Siqueira, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que atuou como relator da BNCC Computação no Conselho Nacional de Educação (CNE).

Outro desafio é a infraestrutura, ainda insuficiente em boa parte das instituições de ensino brasileiras. “Entre 10% e 20% das escolas declaram não ter acesso à internet e menos da metade das escolas públicas tem conectividade adequada para uso em sala de aula. O risco não é o fracasso da BNCC Computação, é o seu sucesso desigual”, afirma Paulo Blikstein, professor afiliado no Departamento de Ciência da Computação e diretor do Transformative Learning Technologies Lab, na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos.

Nas escolas
Em algumas escolas particulares, projetos envolvendo a computação já têm espaço. No Colégio pH, no Rio de Janeiro (RJ), alunos do ensino fundamental desenvolvem projetos em um laboratório maker, com atividades de construção de protótipos, robótica e programação integradas a disciplinas como ciências, matemática e artes. No 9º ano, por exemplo, aplicam princípios de mecânica, eletrônica e programação na construção de um protótipo de mão robótica.

No Pueri Domus, em São Paulo (SP), alunos do ensino fundamental estudam conceitos de pensamento computacional por meio de processos de prototipagem. No 8º ano, em um projeto que envolveu ciências e geografia, construíram uma maquete de uma cidade sustentável em que os postes das ruas recebiam energia de painéis solares.

 

Os três eixos da BNCC Computação

1. Pensamento Computacional
Resolver problemas por etapas e criar estratégias e algoritmos.

2. Mundo Digital
Entender dispositivos, dados, segurança da informação e princípios da computação.

3. Cultura Digital
Discutir privacidade, desinformação e uso responsável das redes sociais.

A Computação no currículo escolar

2017–2018
BNCC é homologada e a tecnologia entra na formação dos estudantes.

2022
CNE define normas, competências e os três eixos da Computação. MEC homologa o documento.

2023
Entra em vigor a Política Nacional de Educação Digital (PNED).

2023–2025
Redes revisam currículos, materiais didáticos e formação de professores.

2026
Implementação da BNCC. Computação torna-se obrigatória em escolas públicas e privadas.

Foto: Pexels

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