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Diploma + emprego: qual é a conta?

Taxas de empregabilidade ajudam na escolha da faculdade, mas é preciso conhecer os critérios usados pelas instituições para calcular os índices

Por Leonardo Messias

23 de outubro de 2026

São vários os indicadores que medem a qualidade de um curso superior, das estrelas deste Guia da Faculdade aos conceitos oficiais do Ministério da Educação (MEC). Mas cada vez mais estudantes têm olhado para um outro dado na hora de escolher uma faculdade: a taxa de empregabilidade. Em pesquisa realizada em 2025 pelo Instituto Locomotiva, em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), 59% dos universitários apontaram esse fator entre as razões para escolher a graduação.

Para quem está decidindo onde estudar, as taxas de empregabilidade divulgadas pelas instituições podem ser uma referência. Mas é preciso entender como esses números são calculados.

O Insper, em São Paulo, informa uma taxa média de empregabilidade de 95% entre seus egressos. Na FIA Business School, o índice divulgado fica na faixa dos 90%. As duas instituições mantêm iniciativas de aproximação dos alunos com o mercado de trabalho. “Na FIA temos o Centro de Carreiras para acompanhamento do início da vida profissional dos alunos no período de estágio”, afirma Elza Veloso, coordenadora do Centro de Carreiras da instituição.

Os percentuais, porém, são levantados pelas próprias instituições e podem não seguir os mesmos critérios de apuração.

Como os índices são calculados

O monitoramento da situação profissional dos alunos recém-formados mescla pesquisas diretas feitas com os egressos com o mapeamento de suas redes sociais profissionais (como o Linked-In). Outras metodologias incluem o acompanhamento de contratações por plataformas de carreira das universidades e o cruzamento com dados públicos.

As diferenças também podem estar no período considerado após a formatura, no número de ex-alunos pesquisados e na definição de inserção profissional. Por isso, os percentuais divulgados não são necessariamente comparáveis.

Para avaliar a confiabilidade da taxa de uma instituição, um bom ponto de partida é verificar a transparência dessa divulgação. “É preciso apresentar parâmetros metodológicos claros, como quais turmas foram consideradas, em que momento o levantamento foi realizado, quantos egressos responderam e quais situações foram classificadas como inserção profissional”, diz a diretora do Insper, Priscila Claro.

Emprego fora da área

A relação entre o diploma e a ocupação profissional também é um fator que não passa despercebido na elaboração dos índices. Se um ex-aluno é formado em engenharia civil e está trabalhando na área financeira de um banco, isso entra no cálculo ou não?

A resposta depende dos critérios adotados pela instituição. Uma taxa pode considerar qualquer atividade remunerada, enquanto outra pode levar em conta apenas os profissionais empregados na área em que se formaram.

A diferença é relevante. Segundo a 5ª Pesquisa de Empregabilidade do Instituto Semesp, realizada em 2026, 77,1% dos egressos entrevistados que exerciam atividade remunerada trabalhavam na área de formação, enquanto 22,9% atuavam fora dela.

É importante também que o estudante verifique se o índice divulgado corresponde ao curso que pretende fazer ou se representa a média de empregabilidade de todas as graduações da instituição.

“Os dados devem ser utilizados com a finalidade de apoiar a decisão do aluno, e não substituir uma reflexão sobre interesses, aptidões e objetivos profissionais e pessoais”, reforça Priscila.

Diploma e área de atuação

77,1% dos egressos entrevistados com atividade remunerada trabalham na área de formação

22,9% trabalham em outras áreas

Fonte: 5ª Pesquisa de Empregabilidade do Instituto Semesp, 2026.

5 pontos para avaliar as taxas de empregabilidade

1. Curso ou instituição
O índice corresponde à graduação desejada ou à média de todos os cursos?

2. Período
De que ano são os dados e quanto tempo depois da formatura foi feita a pesquisa?

3. Participação
Quantos ex-alunos responderam ao levantamento?

4. Tipo de ocupação
Profissionais que trabalham fora da área de formação entram na conta?

5. Metodologia
Os dados foram obtidos por questionários, redes profissionais ou outras fontes?

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