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Contatos da faculdade ajudam na carreira

Os anos de graduação são uma oportunidade para construir uma rede de relacionamentos que pode abrir portas no mercado de trabalho

Por Caio Volpe Arnoni

23 de outubro de 2026

Ao começar sua trajetória como estudante universitário, em São Paulo, em 2017, Guilherme Kodja não iniciou apenas uma formação na área de administração de empresas na Fundação Getulio Vargas (FGV). Foi ali mesmo, na faculdade, que ele construiu uma rede de contatos fundamental para a criação do seu próprio negócio. “Toda a nossa comunidade de mentores e investidores-anjos veio através da Fundação Getulio Vargas”, diz Kodja, cofundador da Movêu, uma marca de móveis personalizados online.

Marcos Lanner, supervisor de estágios e colocação profissional na FGV, conta que os contatos feitos durante a faculdade são frequentemente lembrados pelos ex-alunos nos eventos de carreira da instituição.

Há diferentes maneiras de criar essas conexões. Kodja, por exemplo, ingressou na Liga de Empreendedorismo da faculdade logo no primeiro semestre. Foi num bate-papo promovido pela organização que ele conheceu Pedro Conrade, fundador da fintech Neon, que anos depois se tornaria o primeiro investidor-anjo da Movêu. “Ao todo, na nossa história, já são mais de 6,5 milhões de reais captados via investidores-anjos, que foram oriundos dessas conexões que a FGV nos proporcionou”, afirma Kodja.

Essas conexões também costumam ajudar bastante na busca pelas primeiras oportunidades profissionais. Formada em Administração pela Universidade de São Paulo (USP), a executiva de marketing Clara Faro conseguiu seu primeiro estágio por indicação de uma amiga da faculdade que estava deixando a vaga. Anos mais tarde, quando decidiu abrir uma consultoria em marketing, o primeiro cliente veio após ela se reconectar com um amigo da faculdade. A mãe do ex-colega tinha uma escola e precisava de serviços na área de marketing. “Sempre ou quase sempre tem algum contato que dá um empurrãozinho”, diz Clara.

Conexões variadas

Bons contatos podem surgir entre colegas de curso e professores, em diferentes ambientes. A presença em entidades estudantis e atléticas fortalece os laços com outros alunos. Já programas de monitoria e iniciação científica aproximam os estudantes dos professores.

Izabella Abrahão, formada em Jornalismo na faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, tinha um lema claro durante os anos do curso: “Me enfiar em tudo que fosse possível”, brinca a jornalista. Ela construiu uma rede ampla de contatos sendo representante de sala, participando da comissão de formatura, escrevendo em revistas feitas por estudantes e ainda fazendo iniciação científica.

A estratégia deu certo. O primeiro emprego de Izabella, que ela mantém até hoje, como setorista cobrindo o time de futebol do São Paulo para um site esportivo, veio por meio de uma indicação de um aluno veterano, que virou seu amigo.

A rede de contatos também pode ser ampliada fora da faculdade. Participar de feiras e congressos oferece a oportunidade de conhecer profissionais do mercado. “Todo mundo tá lá com a mesma cabeça que você”, explica Izabella, que ainda hoje frequenta feiras do setor esportivo, como a Cob Expo e a Confut.
Kodja ressalta que frequentar esses espaços não basta sem a iniciativa de conversar com as pessoas. “Todos esses lugares vão te dar acesso a diversas pessoas. Mas, para ser efetivo, é você que tem que ir atrás”, afirma.

As oportunidades de construir contatos, porém, não são iguais para todos. Maria Luiza Modesto, aluna de letras na USP, aponta uma preocupação: a de que o networking, de certa maneira, pode ser excludente. Ela lembra que as oportunidades de conexões podem acabar sendo maiores para quem chega à faculdade vindo, por exemplo, de determinados colégios com maior renome.

Também é importante ter consciência de que a construção de uma boa rede pressupõe reciprocidade, como bem destaca Clara Faro: “O networking envolve relações que você cultiva de uma forma genuína e em que você entrega da mesma forma que recebe. Não é só receber.”

“O networking envolve relações genuínas, em que você oferece tanto quanto recebe”
Clara Faro, executiva de marketing, formada em Administração pela USP

Dicas para construir uma boa rede de contatos

1. Comece pela conversa
Apresente-se e conheça melhor a pessoa antes de abordar oportunidades profissionais

2. Cultive relações de troca
Demonstre interesse pelo trabalho dos outros e esteja disposto a contribuir, não apenas a
receber ajuda.

3. Respeite o tempo das pessoas
Cada relação tem seu ritmo. Considere a disponibilidade do outro ao pedir orientações ou apoio.

4. Concilie contatos e estudos
Aproveite as atividades e os eventos universitários sem deixar a formação acadêmica em segundo plano.

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