Passado o pior da crise econômica, 2018 foi um ano de alta para o setor automobilístico, que registrou 14,5% a mais de vendas ante 2017. Embora em termos absolutos esse número não passe de aproximadamente 325 mil em todo o País, o resultado anima também o segmento de seguro de automóveis, que projeta crescimento entre 4,5% e 8,3%, aponta a Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg).

Para além desses novos automóveis pelas ruas, avenidas e estradas brasileiras, as empresas inovam para conquistar os quase 30 milhões de motoristas que não asseguraram seus veículos.  Um mercado cobiçado. Elas já começam também a desenvolver produtos para quem trabalha com aluguel e compartilhamentos de carro, tendência ao mesmo tempo lenta e bem sólida no Brasil.

De volta ao topo do ranking Finanças Mais, a Tokio Marine conseguiu aumentar sua participação no mercado de 8% para 9,5% em 2018, na comparação com os 12 meses de 2017. Apenas nos prêmios, a operação de Seguros Auto faturou R$ 3,4 bilhões e ao longo deste ano quer bater R$ 3,8 bilhões, distribuídos entre 2 milhões de segurados.

A estratégia para conseguir atingir os objetivos propostos está bem definida, segundo Marcelo Goldman, diretor executivo de Produtos Massificados da Tokio Marine.

O grupo  vai manter a internalização da assistência 24 horas para serviços como reboque e chaveiro, entre outros que o cliente precisa em momentos de emergência. Outro pilar dos planos da seguradora, já implantado, é permitir ao segurado o pagamento em até 12 vezes sem juros no cartão de crédito. “Isso é interessante até pelo momento da economia, e para conseguir atingir todos os públicos a gente precisa diversificar as opções de pagamento”, diz Goldman.

A terceira ponta, focada na ampliação de portfólio, visa atingir o público que está fora do mercado, principalmente por uma questão econômica.

Para isso, foi lançado o Auto Popular, 30% mais barato que o Auto Clássico, carro-chefe da operação. O diferencial é a possibilidade de assegurar carros com até 25 anos de uso, 5 anos mais que o padrão do mercado, e o reparo com uso de peças compatíveis, mas não originais. “Conseguimos comprá-la em preços mais baixos e repassamos a economia ao usuário”, explica Goldman. Ele garante que a companhia observa com cuidado a tendência de pessoas decidirem usar menos o carro – por opção e não devido à crise. “Mas ainda há muitos veículos sem seguro, e queremos alcançá-los.”

Na vice-liderança, a Indiana Seguros segue como parceira direta de marcas automotivas por meio do Canal de Concessionárias. Assim, consegue se fazer presente ao assegurado logo no momento da compra do veículo.

Quem estreia no ranking 2019 é a Liberty Seguros, que cresceu 13% em 2018, e bateu 1,2 milhão de apólices. Nos bastidores, está a consolidação de sua nova marca, Aliro, com cobertura restrita ao que pesquisas contratadas identificaram como mais fundamental: seguro para terceiros, roubo e perda total do veículo. “Fizemos o desenho de precificação mirando o menor custo porque nosso público-alvo para esse produto é quem pode arcar apenas com preços menores. Utilizamos muito o digital no Aliro”, explica Paulo Umeki, vice-presidente do grupo.

A empresa está atenta à descentralização do setor financeiro, cada vez mais digitalizado. “Isso é uma grande oportunidade para firmarmos parcerias, integrar nossa plataforma e aproveitar que bancos digitais e seguradoras têm em comum o trabalho com corretores. O desafio é conseguir integrar nosso sistema ao do banco”, relata Umeki. Com olhares bem ativos na tendência de menos propriedade de carros e maior mobilidade, o grupo já direciona recursos para atender empresas de compartilhamento, locadoras e taxistas.

“Temos projetos-piloto em andamento de produtos massificados para segurar pessoas e profissionais enquanto estão se locomovendo”, adianta o vice-presidente. A ideia, segundo o executivo, é fazer o seguro para um período de dias, de acordo com a rotina e o interesse do cliente.

“Pelo momento da economia e para conseguir atingir todos os públicos, a gente precisa diversificar as opções de pagamento”

Marcelo Goldman, diretor executivo de Produtos Massificados da Tokio Marine

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