O impacto do coronavírus nas ações da Bolsa de Valores vem sendo sentido pelo Brasil desde dezembro de 2019, quando a China descobriu a doença. De lá pra cá, as ações não param de sofrer com oscilações, no setor. Profissionais ficaram sem chão quando as ações despencaram 32,28%, fazendo a bolsa paralisar duas vezes em menos de dois meses.

Foto de Burak K no Pexels

Especialistas consideram o momento como uma das maiores crises da história. Esse é o caso do analista de investimentos da Easynvest, José Falcão Castro. Segundo ele, a bolsa brasileira não caía tanto e de forma tão intensa desde 1998 (crise financeira na Rússia). Para Castro, a falta de expectativa relacionada ao impacto da crise do coronavírus na economia e na saúde global criou um clima de pânico generalizado.

“Enxergamos esse momento como um risco sistêmico que trouxe impactos negativos para as bolsas do mundo inteiro. Infelizmente, não foi a primeira e nem será a última crise que vamos passar”.

Perdi dinheiro e agora?

O cenário de adversidade que toma conta da economia mundial tem deixado os investidores cada vez mais temerosos. Mas os especialistas garantem que o investidor deve ter calma. “No médio e longo prazo, as crises anteriores nos ensinam que os mercados voltam a reagir bem e se recuperam alguns meses depois. Porém, se o investidor está com uma alocação excessiva em ativos de risco, como ações, ele precisa fazer um balanceamento da sua carteira, reduzindo a exposição e adicionando ativos de seguro, como dólar e ouro, para minimizar mais perdas. Isso fará ele sobreviver no curto prazo e ter sucesso no médio e longo prazo”, recomenda Castro.

LEIA TAMBÉM
Qual o melhor caminho para os investidores na pandemia?
Entenda os detalhes das Medidas Provisórias do Trabalho
Como está o mercado de seguros com a pandemia?

Vale investir agora?

A Bolsa de Valores funciona como um grande mercado organizado, onde as empresas podem abrir capital social para vender ações aos investidores e, dessa forma, financiarem suas atividades. Mas, diante da crise mundial, será esse o melhor momento para investir?

“Neste momento, já sabemos de forma mais clara o tamanho do buraco que vamos entrar e já temos expectativas de como e quando vamos nos recuperar. Nos últimos 15 dias, as bolsas começaram a reagir de forma mais racional, e continua com preços muito atrativos de empresas boas e baratas. Portanto, se o investidor tem uma visão de longo prazo e está com sua alocação na carteira não tão excessiva em ações, há uma oportunidade única à sua frente”.

Quem reforça a análise é o professor de Ciência Contábeis da Estácio, José Carota. Segundo ele, o investidor deve analisar muito bem o projeto da empresa e o cenário econômico antes de efetuar a compra, tendo uma visão de médio e longo prazo. “Tenho a convicção que o mercado brasileiro irá começar a retornar em alguns meses. Portanto, tudo deverá voltar ao normal e o preço das ações voltará a subir, pois temos empresas solidas na Bovespa”.

A sugestão do professor para quem está querendo investir no momento é uma só: “diversificar os investimentos de acordo com o perfil. Portanto, ele deverá destinar uma parte dos seus recursos para renda fixa e uma pequena parte na renda variável (ações), deixando sempre uma reserva disponível para emergências nos investimentos a curto prazo”.