Foto de Pietro Jeng no Pexels

As restrições de isolamento social causadas por conta da pandemia do coronavírus mexeram com o setor cultural. Com os espaços fechados, muitos profissionais enfrentam dificuldades para garantir o rendimento mensal. Certamente, um dos setores mais atingindo pela crise

Só para se ter uma ideia do problema, dados do IBGE de 2018 demonstram que cerca de 5 milhões de pessoas trabalham no setor cultural brasileiro e, deste total, ao menos 44% atuam de maneira autônoma, ou seja, não ganham salário fixo.

Já que os eventos com aglomeração não têm data para voltar, muitos encontraram no passado uma maneira de driblar o prejuízo. Agora, o setor tem investido em ações que prometem, mesmo que aos poucos, aquecer a economia cultural. Além das lives musicais, que caíram no gosto do público, há outros formatos de apresentações que vem conquistam destaque: o drive-in.

Sucesso nos anos 70, os drive-ins eram opções para famílias e, principalmente, para os namorados que procuravam por privacidade. Hoje, a opção de entretenimento tem se tornado uma alternativa para a recuperação do setor e ganha cada vez mais destaque dentro e fora do Brasil.

Belas Artes Drive-in

Em São Paulo, destaque para uma parceria entre o Petra Belas Artes e o Memorial da América Latina, com apoio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado. O Belas Artes Drive-in está aberto ao público desde o dia 17 de junho.

Entre os cuidados obrigatórios estão: exigência do uso de máscaras, distância mínima de 1,5 metro entre pessoas e carros em todos os ambientes. Há também o limite máximo de quatro ocupantes por veículo. Além disso, as compras para as sessões são feitas via internet.

“Trata-se de um evento seguro para o público e os funcionários, e tem tudo para se tornar uma das principais formas de lazer e diversão enquanto a pandemia não passar completamente”, afirma o Secretário de Cultura e Economia Criativa Sérgio Sá Leitão.

Entretenimento dentro da arena

O Allianz Parque, em São Paulo, já era conhecido por promover grandes shows. Após o cancelamento dos campeonatos de futebol e apresentações musicais, o estádio se adaptou ao “novo normal” promovendo uma série de mudanças para se tornar adequado a receber eventos no formato drive-in.

O projeto com mais shows marcados no estádio é o Arena Sessions, que conta com diversos tipos de eventos e apresentações musicais. O Allianz Parque tem capacidade de receber até 285 carros, com 130 na área vip.

Atividade internacional

A apreensão do setor também foi sentida mundialmente. Nos Estados Unidos, grandes festivais como South By Southwest (SXSW), de música, cinema e tecnologia, e Coachella foram cancelados. Todos os shows de março da Live Nation e da AEG, as duas maiores produtoras de turnês do mundo, foram interrompidos.

A Live Nation, por exemplo, registrou uma queda de 25% na sua receita de shows no primeiro trimestre de 2020. Para fugir do prejuízo, a empresa anunciou também uma série de apresentações com diversos artistas chamada “Drive-In Live”. A apresentação passará por quatro cidades dinamarquesas durante o verão europeu.

Destaque no gênero gospel, o cantor e pastor André Valadão fez uma apresentação para mais de mil fieis no estacionamento de uma igreja nos Estados Unidos. “A gente pegou uma antena de rádio, de frequência FM de curta distância, no estacionamento da igreja. Todo mundo dentro do carro, ouvindo em tempo real o áudio da mesa de som. Tivemos um tempo maravilhoso, foi incrível”.

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