O Brasil é o 4º país que mais consome produtos de higiene e beleza. Aliás, os números comprovam que, apesar da crise, o País pode subir no pódio nos próximos anos. De acordo com a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), as 25 maiores empresas varejistas do setor da beleza movimentaram R$ 4,7 bilhões entre janeiro e março de 2019. Esse número representa um aumento de 10,64% em relação ao mesmo período de 2018. Ainda segundo o levantamento da Abrafarma, em 2018 o desempenho foi de 4,58%.

Se a indústria da beleza segue em expansão, o mesmo acontece com os cosméticos sustentáveis que não param de ganhar o gosto do consumidor, cada vez mais consciente sobre a importância do assunto. Para conquistar destaque, porém, a tecnologia tem papel fundamental nesse processo.

Cosmético sustentável é um caminho sem volta

Um exemplo desse crescimento é a Natura, que registrou de janeiro a setembro de 2019 receita líquida de R$ 4,31 bilhões no mercado brasileiro, alta de 4,4% em base anual. A diretora global da marca, Maria Paula Fonseca, acredita que a linha de cosméticos sustentáveis é um caminho sem volta.

“Tem uma onda de conscientização crescente em relação aos produtos sustentáveis. Um cosmético tem que funcionar, ser gostoso e prazeroso. Cada vez mais a gente percebe que as pessoas olham para essas questões. Aliás, as próprias consultoras nos contam que o consumidor quer saber se o produto causa algum impacto ao meio ambiente ou se foi testado em animais”.

Crescimento do setor é tendência mundial

Certamente, esse lifestyle é tendência mundial. Basta conferir o ritmo de crescimento previsto para os próximos anos que, segundo Roberto Kanter, professor de marketing da FGV e diretor do Canal Vertical, segue caminhando forte. “A indústria natural cosmética americana representava US$ 3,9 bilhões em 2015 e tem previsto US$ 10 bilhões para 2025. E o Brasil segue esse mesmo ritmo”.

Para Kanter, as empresas que investem nesse modelo de produto estão no caminho certo. “As gerações X, Y e Alpha são e serão consumidoras desses produtos. E eles estão cada vez mais atentos aos impactos ambientais, o que justifica a demanda”.

Mas engana-se quem pensa que a maior dificuldade é a produção desses cosméticos. “O grande desafio não está só no produto em si. É raro encontrar empresas que realizam testes em animais. Existem várias regulamentações tomando conta disso. As empresas estão investindo em matéria prima com base natural e base sintética. Entretanto, o desafio está no descarte dessas embalagens”.

Tecnologia a favor do meio ambiente

E se a nova geração está de olho no impacto ambiental, as empresas não ficam para trás. Segundo dados da Natura, 30% do portfólio da marca tem opção de refil. Além disso, há linhas que usam embalagens regulares de material reciclado. Com essas iniciativas, anualmente, deixam de ir para o lixo 31 milhões de garrafas plásticas de 1 litro e 1,7 milhão de garrafas vidro de 1 litro.

Certamente, é com o auxílio da tecnologia que a empresa consegue reduzir os danos à natureza. “Nosso primeiro refil foi lançado na década de 90. A gente jamais lançará um produto que gere mais impacto do que o anterior. Para isso, temos calculadoras que mostram a quantidade de plástico usado em cada embalagem”, explica Maria Paula Fonseca.

Outra frente que a empresa investe há 20 anos é a sociobiodiversidade. Trata-se de um modelo de negócio onde a comunidade é inserida. “Investimos em tecnologia sócio ambiental. Para ser sustentável e não perder performance, olhamos a natureza como uma grande fonte. Nosso modelo de tecnologia vai nessa direção. Buscamos ao máximo usar materiais recicláveis ou já reciclados que possam continuar nessa cadeia gerando menos resíduo possível. Além disso, estamos investindo em tecnologia para produzir uma embalagem biodegradável”.

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