{"id":2334,"date":"2024-11-18T18:00:00","date_gmt":"2024-11-18T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/?p=2334"},"modified":"2024-11-21T18:01:45","modified_gmt":"2024-11-21T21:01:45","slug":"como-as-marcas-chinesas-agem-para-desbravar-o-mercado-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/como-as-marcas-chinesas-agem-para-desbravar-o-mercado-brasileiro\/","title":{"rendered":"Como as marcas chinesas agem para desbravar o mercado brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Por Wesley Gonsalves &#8211; editada por Mariana Collini<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para conquistar o mercado dom\u00e9stico em qualquer segmento, n\u00e3o basta oferecer um produto competitivo; \u00e9 essencial compreender e adotar a linguagem local. Esse \u00e9 o desafio que muitas marcas chinesas t\u00eam enfrentado, buscando se conectar de forma mais eficaz com os brasileiros. Das montadoras \u00e0s redes sociais, passando pelas varejistas de moda e e-commerce, as gigantes da terra do drag\u00e3o t\u00eam apostado na estrat\u00e9gia de \u201ctropicalizar\u201d sua abordagem. Essa adapta\u00e7\u00e3o cultural tem sido a chave para ampliar sua presen\u00e7a e conquistar espa\u00e7o no mercado brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das apostas das marcas asi\u00e1ticas tem sido ganhar territ\u00f3rio com a ajuda do mercado de influ\u00eancia no Pa\u00eds, hoje um dos pilares de crescimento da publicidade e dos anunciantes. Ao se conectar com criadores de conte\u00fado locais, essas marcas conseguem traduzir sua identidade para o p\u00fablico brasileiro, criando campanhas mais aut\u00eanticas e engajadoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Se os brasileiros passam muitas horas conectados \u00e0s redes sociais e s\u00e3o extremamente ligados aos influenciadores, \u00e9 com eles que as chinesas trabalham para mostrar o potencial dos seus produtos, que v\u00e3o de carros de luxo, passa pelas redes sociais, ou at\u00e9 as plataformas de e-commerce.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a CEO da Troiano Branding, Cec\u00edlia Russo, a parceria com influenciadores locais pode ser um passo crucial para romper estere\u00f3tipos que associam produtos de marcas chinesas a itens de qualidade inferior, baratos ou meras \u201cc\u00f3pias\u201d de produtos ocidentais. Segundo a executiva, nas primeiras ondas de globaliza\u00e7\u00e3o, muitas empresas chinesas focaram na competi\u00e7\u00e3o por pre\u00e7o, o que acabou refor\u00e7ando percep\u00e7\u00f5es equivocadas sobre a qualidade de seus produtos. \u201cEssas marcas ainda v\u00e3o ter de se provar como boas, para talvez numa pr\u00f3xima onda de marcas, elas j\u00e1 tenham vencido esse est\u00e1gio da qualidade e possam vencer apenas com suas propostas de valor\u201d, analisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda na avalia\u00e7\u00e3o da executiva, para al\u00e9m do esfor\u00e7o individual de cada companhia, seria importante uma atua\u00e7\u00e3o massiva, guiada pelo governo chin\u00eas, em tom de \u201cpol\u00edtica p\u00fablica\u201d, como j\u00e1 fizeram outros pa\u00edses ao cristalizar uma ideia sobre seus produtos, a exemplo da It\u00e1lia com a gastronomia, a Fran\u00e7a com a moda, ou a Su\u00ed\u00e7a com o maquin\u00e1rio de rel\u00f3gios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsses conceitos s\u00e3o feitos pela soma de qualidade de v\u00e1rias marcas. Acredito que a China consiga criar uma \u2018alma chinesa\u2019 positiva em torno das suas marcas. Qual sera essa voca\u00e7\u00e3o? Isso ainda precisa ser descoberto,\u201d diz Russo, que questiona: \u201cAcho que ela j\u00e1 percebeu que a relev\u00e2ncia de jogar esse jogo global, e que a sua soberania pol\u00edtica, tamb\u00e9m passa pela constru\u00e7\u00e3o de marcas chinesas. Qual a nova marca que a China quer trazer para o mundo?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>For\u00e7a criativa<\/strong><br>Tendo em vista que o sucesso das marcas chinesas no Brasil depender\u00e1 de um ato coletivo, as pr\u00f3prias companhias t\u00eam buscado se alinhar com quem entende do mercado local, as tradicionais ag\u00eancias de publicidade do Pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Rec\u00e9m-desembarcada no Pa\u00eds, a marca de carros de luxo chinesa Zeekr, trouxe para o plano de neg\u00f3cios dois modelos que buscam brigar com as demais marcas no segmento de ve\u00edculos eletrificados de alto valor. Para \u201cvender seu peixe\u201d, a marca contratou a ag\u00eancia CP+B, para tentar ganhar territ\u00f3rio e conversar com o consumidor brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o CEO da ag\u00eancia no Brasil, Vin\u00edcius B. Reis, o principal desafio no segmento de carros premium \u00e9 mostrar o valor dos produtos e se conectar com o p\u00fablico. \u201cBrasileiro j\u00e1 entendeu que as empresas chinesas s\u00e3o s\u00e9rias. Agora, n\u00f3s precisamos construir credibilidade com o p\u00fablico\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Com outras marcas chinesas no portf\u00f3lio da ag\u00eancia, Reis destaca que no plano de comunica\u00e7\u00e3o de uma marca nova no Pa\u00eds n\u00e3o podem faltar os influenciadores e criadores de conte\u00fado, especializados, o que ajuda a se conectar de forma mais eficiente com o p\u00fablico local, diz o executivo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Expans\u00e3o de neg\u00f3cios no Brasil<\/strong><br>Enquanto para algumas marcas mais novas no Pa\u00eds o desafio \u00e9 ganhar p\u00fablico, para outros neg\u00f3cios chineses que j\u00e1 atuam por aqui, o plano \u00e9 a expans\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es. Esse \u00e9 o caso da rede social Kwai, que desembarcou no Pa\u00eds antes da pandemia, e agora quer se consolidar no Brasil em outra vertical. Conforme adiantou o Estad\u00e3o, recentemente a companhia que pertence a Kwaishou, estreou no Pa\u00eds a primeira rede social com plataforma de e-commerce integrado, algo j\u00e1 tradicional em mercados mais consolidados, como a China.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO potencial dessa ferramenta \u00e9 enorme no pa\u00eds j\u00e1 que a live e-commerce n\u00e3o apenas facilita as vendas, mas tamb\u00e9m transforma a experi\u00eancia de compra, unindo entretenimento e com\u00e9rcio em uma plataforma acess\u00edvel para todos, beneficiando uma ampla gama de usu\u00e1rios, desde pequenos neg\u00f3cios que buscam visibilidade e crescimento, como a grandes marcas que desejam se conectar de forma mais direta e engajada com seus consumidores\u201d, afirmou a diretora-geral da Kwai no Brasil, Claudine Bayma.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a executiva, a nova fase da opera\u00e7\u00e3o em torno do e-commerce passa por desafios como aprimorar a estrutura e o custo log\u00edstico, ampliar e diversificar a ofertas de produtos, aumentando nossa base de lojistas parceiros, entre eles pequenos empreendedores e marcas consolidadas entre outros pontos. \u201cVamos seguir incentivando e aprimorando a qualidade da produ\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos que ajudem os lojistas a venderem mais\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que os desafios da nova fase estejam mais ligados a quest\u00f5es t\u00e9cnicas do e-commerce, por exemplo, a Kwai n\u00e3o quer deixar de lado o plano de usar a influ\u00eancia para alavancar os neg\u00f3cios. Para impulsionar a nova ferramenta do aplicativo, a marca chinesa conta com a presen\u00e7a de influenciadores como a brasileira Evilyn Marques, uma \u201ccelebridade\u201d do live commerce (as vendas em transmiss\u00f5es ao vivo), que h\u00e1 nove anos vive na China e usa a plataforma para vender produtos para clientes no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Potencial de neg\u00f3cios<\/strong><br>No ano em que se comemora o 50\u00ba anivers\u00e1rio das rela\u00e7\u00f5es bilaterais entre Brasil e China, diversas comitivas de executivos dos dois pa\u00edses cruzam o Oceano Pac\u00edfico para se conectar com futuras marcas que queiram internacionalizar as opera\u00e7\u00f5es e desembarcar em terras tropicais prospectando neg\u00f3cios.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ponte entre marcas e o p\u00fablico, no \u00faltimo m\u00eas de outubro, um grupo de 48 executivos brasileiros visitaram a China, para conhecer novas tecnologias, descobrir empresas com potencial de internacionaliza\u00e7\u00e3o e se conectar com esse p\u00fablico. A comitiva foi organizada pela Knowledge Exchange Session (KES).<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os compromissos, a comitiva de executivos como a presidente do Grupo Publicis no Brasil, Gabriela Onofre, o CEO da Artplan, Ant\u00f4nio Fadiga, e o presidente do Grupo Stagwell no Brasil, Vinicius B. Reis, entre outros nomes, participaram de um jantar ciceroneado pelo embaixador do Brasil na China, Marcos Galv\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O representante do pa\u00eds recebeu os convidados brasileiros em Pequim na noite do \u00faltimo domingo, 20. Al\u00e9m dos CEOs de ag\u00eancias, a comitiva contou com a presen\u00e7a de outros executivos de marcas como Pepsico, Visa, Mastercard, Bauducco, Mercado Livre, Tetra Pak, Meta, Globo, e TikTok, conforme apurou o Estad\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No itiner\u00e1rio dos brasileiros estavam visitas a companhias chinesas, encontros bilaterais com empres\u00e1rios e reuni\u00f5es com autoridades, entre outros compromissos. Durante a visita \u00e0 China, o grupo acompanhou discuss\u00f5es sobre o futuro das rela\u00e7\u00f5es de neg\u00f3cios entre os dois pa\u00edses, avan\u00e7os do e-commerce, debate sobre diferen\u00e7as geracionais no consumo, avan\u00e7os de IA, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/economia\/negocios\/o-desafio-das-marcas-chinesas-para-conquistar-o-consumidor-brasileiro\/\">https:\/\/www.estadao.com.br\/economia\/negocios\/o-desafio-das-marcas-chinesas-para-conquistar-o-consumidor-brasileiro\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em>Foto: Wesley Gonsalves\/Estad\u00e3o<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empresas t\u00eam buscado se aliar a influenciadores locais para conseguir falar a l\u00edngua do brasileiro e traduzir sua identidade para o consumidor<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":2335,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-2334","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2334","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2334"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2334\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2336,"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2334\/revisions\/2336"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2335"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}