{"id":180,"date":"2020-08-19T18:49:58","date_gmt":"2020-08-19T21:49:58","guid":{"rendered":"http:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais2020\/?p=180"},"modified":"2020-08-19T18:49:58","modified_gmt":"2020-08-19T21:49:58","slug":"diversidade-geral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/diversidade-geral\/","title":{"rendered":"Diversidade Geral"},"content":{"rendered":"<p>Quando estava no quinto per\u00edodo da Faculdade de Direito de Curitiba, Mait\u00ea Schneider, 48, uma mulher transexual, procurou est\u00e1gio em pelo menos vinte escrit\u00f3rios de advocacia. Foi recusada em todos. \u201cEu tranquei o curso\u201d, afirma. \u201cO mundo corporativo para uma pessoa trans era um caminho que n\u00e3o existia, n\u00e3o era poss\u00edvel, a n\u00e3o ser que voc\u00ea mantivesse sigilo de suas quest\u00f5es identit\u00e1rias.\u201d<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o muita coisa mudou \u2013 e com a colabora\u00e7\u00e3o de Mait\u00ea, inclusive. Em 2009, ela e algumas amigas, como a cartunista Laerte Coutinho, fundaram a <strong>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transg\u00eaneros,<\/strong> focada no acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para pessoas trans. Anos depois, em 2013, nascia a <strong>Transempregos,<\/strong> um projeto de empregabilidade para quem, como Mait\u00ea, n\u00e3o encontrava oportunidade no mercado formal de trabalho. \u201cNo come\u00e7o a gente s\u00f3 queria dar \u2018match\u2019 entre os curr\u00edculos de pessoas trans e as empresas. Hoje em dia a gente faz tamb\u00e9m um trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o e de pensar estrat\u00e9gias para uma cultura organizacional mais inclusiva, fazendo projetos de impacto, agregando responsabilidade social \u00e0 marca ou aos produtos\u201d, diz Mait\u00ea.<\/p>\n<p>Uma das primeiras empresas que procuraram a Transempregos foi o Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar. Segundo Susy Yoshimura, diretora de Sustentabilidade e Compliance do GPA, a empresa tem como prioridade respeito e promo\u00e7\u00e3o dos direitos LGBTQI+, mas tamb\u00e9m trabalha inclus\u00e3o e desenvolvimento de pessoas com defici\u00eancia, equidade de g\u00eaneros e racial e diversidade et\u00e1ria. \u201c\u00c9\u00a0 importante que nosso time reflita a sociedade, que \u00e9 plural\u201d, diz Susy. \u201cQuanto mais diversidade e representatividade em nossas lojas, mais entenderemos nossos clientes e suas demandas. Devemos proporcionar a\u00e7\u00f5es inclusivas para contribuir com a transforma\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_191\" style=\"width: 419px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-191\" class=\"wp-image-191\" src=\"http:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/dados.jpg\" alt=\"\" width=\"409\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/dados.jpg 600w, https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/dados-245x300.jpg 245w\" sizes=\"auto, (max-width: 409px) 100vw, 409px\" \/><p id=\"caption-attachment-191\" class=\"wp-caption-text\">Fonte: pesquisa Diversidade e Inclus\u00e3o nas Organiza\u00e7\u00f5es no Brasil, da Aberje. *As empresas deram mais de uma resposta<\/p><\/div>\n<h2>\u00c9 MUITO POUCO<\/h2>\n<p>O crescimento da diversidade no ambiente corporativo foi mensurado recentemente pela pesquisa<strong> A Diversidade e Inclus\u00e3o nas Organiza\u00e7\u00f5es no Brasil,<\/strong> realizada pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Comunica\u00e7\u00e3o Empresarial (Aberje). Foram ouvidas 124 empresas que, juntas, empregam mais de 850 mil funcion\u00e1rios e faturam o equivalente a 18,3% do PIB brasileiro. Uma em cada seis disse ter programas internos de diversidade e inclus\u00e3o, geralmente ligados aos departamentos de Recrutamento e Sele\u00e7\u00e3o, Comunica\u00e7\u00e3o ou Treinamento e Desenvolvimento. Quando questionadas sobre os motivos dessas iniciativas, a maioria afirmou que o objetivo era \u201cmelhorar a imagem e reputa\u00e7\u00e3o\u201d (68%). A pesquisa revelou, ainda, que os maiores progressos das empresas em rela\u00e7\u00e3o aos programas de diversidade e inclus\u00e3o foram referentes \u00e0 identidade de g\u00eanero (63%).<\/p>\n<p>Segundo Ricardo Sales, doutorando em Pol\u00edticas de Diversidade pela ECA-USP e professor da Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, a quest\u00e3o da diversidade nas empresas \u00e9 um imperativo moral e \u00e9tico. \u201cA sociedade \u00e9 profundamente desigual e as empresas est\u00e3o inseridas nessa sociedade, portanto t\u00eam a obriga\u00e7\u00e3o de ajud\u00e1-la a avan\u00e7ar nessa tem\u00e1tica\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><\/h2>\n<h2>TRADI\u00c7\u00c3O<\/h2>\n<p>A multinacional de tecnologia IBM se orgulha de ter uma tradi\u00e7\u00e3o de d\u00e9cadas no respeito \u00e0 diversidade. Em 1984, auge da aids e da discrimina\u00e7\u00e3o aos homossexuais, incluiu em seu c\u00f3digo de conduta global o combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o pela orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero. \u201cPara as empresas que querem avan\u00e7ar no tema de diversidade, isso \u00e9 fundamental. No c\u00f3digo de conduta voc\u00ea coloca quais s\u00e3o as regras do jogo\u201d, diz Adriana Ferreira, l\u00edder de Diversidade e Inclus\u00e3o da IBM para Am\u00e9rica Latina. Antes mesmo da implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas ou mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o, os funcion\u00e1rios da companhia j\u00e1 podiam incluir os companheiros do mesmo sexo no plano de sa\u00fade, por exemplo. A hormonioterapia de funcion\u00e1rios transexuais \u2013 ou de seus filhos e dependentes legais transg\u00eaneros \u2013 \u00e9 subsidiada desde 2017. Em junho deste ano, a empresa passou a oferecer a cobertura de todos os processos cir\u00fargicos do processo transexualizador. H\u00e1 dezessete anos, a IBM \u00e9 um dos dez Melhores Locais de Trabalho para a Igualdade LGBTQI+ da Human Rights Campaign Foundation, um dos maiores grupos de defesa dos direitos civis LGBTQI+.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>MAIS MULHERES E MAIS NEGROS<\/h2>\n<p>Embora a primeira programadora da hist\u00f3ria tenha sido uma mulher, a inglesa Ada Lovelace, o mercado de tecnologia sempre foi dominado por homens. Uma realidade que a consultoria global de software Thoughtworks tem conseguido transformar gra\u00e7as a um trabalho intenso de contrata\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de mulheres em todos os n\u00edveis de senioridade da empresa. Em 2017, lan\u00e7ou o projeto Todas as Mulheres na Tecnologia e os frutos j\u00e1 come\u00e7aram a ser colhidos: em mar\u00e7o deste ano, quase metade (47%) da for\u00e7a de trabalho da empresa era feminina e elas j\u00e1 eram maioria nos cargos de lideran\u00e7a (55%). No ano seguinte, 2018, a Thoughtworks lan\u00e7ou outro projeto para fomentar a diversidade, o Enegrecer a Tecnologia, que desenvolve a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para contratar pessoas negras. Hoje, elas j\u00e1 s\u00e3o 34% da empresa e a meta \u00e9 que representem 40% da for\u00e7a de trabalho em 2021. Renata Gusm\u00e3o, l\u00edder de Transforma\u00e7\u00e3o Social da Thoughtworks, \u00e9 taxativa: \u201c\u00c9 o certo a ser feito. A empresa tem que ter a cara do Brasil\u201d.<\/p>\n<p>A Avon, conhecida por ter mais da metade da for\u00e7a de trabalho feminina inclusive nos cargos de ger\u00eancia e de alta lideran\u00e7a, tamb\u00e9m est\u00e1 focada em tornar a empresa mais diversificada em rela\u00e7\u00e3o a cor e etnia. Em um futuro pr\u00f3ximo, promete lan\u00e7ar \u201cmetas corajosas\u201d para a contrata\u00e7\u00e3o de pessoas negras, garante Daniel Silveira, presidente da Avon no Brasil. \u201cRecentemente, fizemos um debate sobre racismo internamente e estamos construindo um plano de a\u00e7\u00e3o robusto para intensificar e acelerar a agenda \u00e9tnico-racial dentro da empresa. Ainda estamos trabalhando nos detalhes\u201d, revela. A companhia j\u00e1 tinha dado um passo nessa dire\u00e7\u00e3o quando no ano passado aumentou de 5% para 20% a contrata\u00e7\u00e3o de estagi\u00e1rios negros. \u201cReconhecemos que esse n\u00famero ainda n\u00e3o reflete a realidade brasileira\u201d, diz Silveira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>\u201cQuanto mais diversidade e representatividade em nossas lojas, mais entenderemos nossos clientes e suas demandas. Devemos proporcionar a\u00e7\u00f5es inclusivas para contribuir com a transforma\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\n&#8211; <strong>Susy Yoshimura, diretora de Sustentabilidade e Compliance do Grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<h2>AS VANTAGENS DE N\u00c3O SER INVIS\u00cdVEL<\/h2>\n<p>Companhias que investem em diversidade sexual, de g\u00eanero e de etnia s\u00e3o mais saud\u00e1veis, felizes e rent\u00e1veis. Costumam ter melhor reten\u00e7\u00e3o de talentos, sa\u00fade organizacional mais s\u00f3lida e maior probabilidade de alcan\u00e7ar uma performance financeira superior \u00e0 das empresas que n\u00e3o se engajaram nessa pauta. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o da Diversity Matters, pesquisa conduzida pela consultoria McKinsey, que analisou 700 empresas de capital aberto em toda a Am\u00e9rica Latina. Outros estudos desse tipo afirmam o mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>A RESPOSTA DA SOCIEDADE<\/h2>\n<p>Um estudo sobre tend\u00eancias globais de consumo feito pela IBM em parceria com a norte-americana National Retail Federation, a maior associa\u00e7\u00e3o comercial varejista do mundo, revela que os consumidores de hoje valorizam marcas com \u201cprop\u00f3sito\u201d. Os pesquisadores entrevistaram cerca de 19 mil pessoas de 28 pa\u00edses, incluindo o Brasil, para compreender melhor como as decis\u00f5es de compra individuais est\u00e3o evoluindo e, assim, ajudar as empresas a entender esse novo cen\u00e1rio. Um ter\u00e7o dos consumidores afirmou que pode deixar de comprar seus produtos preferidos se perder a confian\u00e7a em suas marcas favoritas e que, na hora de tomar decis\u00f5es de compra, est\u00e3o priorizando empresas que s\u00e3o sustent\u00e1veis, transparentes e alinhadas com seus principais valores.<\/p>\n<p>Os investidores tamb\u00e9m j\u00e1 se mostraram dispostos a apostar em marcas mais engajadas em diversidade, como a Natura, por exemplo. As a\u00e7\u00f5es ordin\u00e1rias da empresa brasileira de cosm\u00e9ticos dispararam no m\u00eas passado ap\u00f3s a campanha do Dia dos Pais da marca, que contava com a participa\u00e7\u00e3o do ator trans Thammy Miranda, filho da cantora Gretchen e pai do pequeno Bento Ferreira de Miranda, de seis meses. No \u00faltimo dia 29 de junho, terminaram o preg\u00e3o com um avan\u00e7o de 6,73%, o maior do Ibovespa, enquanto o principal \u00edndice do mercado subiu apenas 1,44%.<\/p>\n<p>Milena Buosi, gerente de Diversidade da Natura, lembra que a campanha est\u00e1 alinhada \u00e0 miss\u00e3o e aos valores da empresa, que se orgulha em contar com uma for\u00e7a de trabalho diversa desde o in\u00edcio de sua trajet\u00f3ria e tem diversidade e inclus\u00e3o inseridas no plano estrat\u00e9gico da companhia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-113\" src=\"http:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/ico-mais.png\" alt=\"\" width=\"33\" height=\"33\" \/> Confira as Entrevistas:<\/h2>\n<p><a href=\"http:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais2020\/entrevista-nossa-meta-e-nao-precisar-mais-existir\/\">Mait\u00ea Schneider, da Transempregos: &#8220;Nossa meta \u00e9 n\u00e3o precisar mais existir&#8221;<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais2020\/entrevista-a-meta-e-ter-50-de-lideranca-feminina-ate-o-%ef%ac%81-m-de-2020\/\">Milena Buosi, da Natura: &#8220;A meta \u00e9 ter 50% de lideran\u00e7a feminina at\u00e9 o fim de 2020&#8221;<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando estava no quinto per\u00edodo da Faculdade de Direito de Curitiba, Mait\u00ea Schneider, 48, uma mulher transexual, procurou est\u00e1gio em pelo menos vinte escrit\u00f3rios de advocacia. 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