{"id":1430,"date":"2023-09-04T11:39:58","date_gmt":"2023-09-04T14:39:58","guid":{"rendered":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/?p=1430"},"modified":"2023-09-15T11:43:40","modified_gmt":"2023-09-15T14:43:40","slug":"vert-mostra-no-acre-como-esta-revolucionando-a-producao-de-tenis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/vert-mostra-no-acre-como-esta-revolucionando-a-producao-de-tenis\/","title":{"rendered":"Vert mostra no Acre como est\u00e1 revolucionando a produ\u00e7\u00e3o de t\u00eanis"},"content":{"rendered":"<p><strong>Blog Sneakerverso<\/strong><\/p>\n<p><strong>Um passeio pela cultura sneakerhead no Brasil e no mundo<\/strong><\/p>\n<p>O calor estava grande naquele 25 de abril, quando recebi o convite da Vert para conhecer o ciclo da borracha no Acre, de onde vem grande parte da mat\u00e9ria prima usada pela marca em seus t\u00eanis. Dei tr\u00eas olhadas para o ventilador, quase como um pren\u00fancio do suadouro que seria dentro da floresta, respondi sim, claro, e segui ansioso at\u00e9 o dia 2 de agosto, data do embarque s\u00f3 com uma mala de m\u00e3o. Congonhas para Bras\u00edlia. Bras\u00edlia para Rio Branco. Durmo em Rio Branco. 6 da manh\u00e3 acordo, tr\u00eas horas de van Acre adentro s\u00f3 com uma mochila nas m\u00e3os por quatro dias, saio da estrada e mais meia hora de van por dentro da floresta a 20 km\/h. Des\u00e7o da van, vou de uma margem do rio para a outra de barco, subir uma rampa de uns 50 metros de areia e chego no centro nervoso da estrutura do extrativismo das seringueiras, um galp\u00e3o rec\u00e9m reformado onde acontece as reuni\u00f5es das fam\u00edlias com as cooperativas, as festas e \u00fanico local com internet da regi\u00e3o. Cansado? Sim. Feliz? Muito. Tudo isso para uma constata\u00e7\u00e3o definitiva. Por tudo que a marca faz e pela revolu\u00e7\u00e3o que acontece l\u00e1, se Chico Mendes estivesse vivo, hoje ele cal\u00e7aria Vert.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a da Veja, Vert no Brasil, para a maioria das marcas de t\u00eanis do mercado j\u00e1 nasceu na ess\u00eancia. Fran\u00e7ois-Ghislain Morillion e S\u00e9bastien Kopp, fundadores da empresa, depois de prestar consultoria para uma s\u00e9rie de empresas, atravessaram o mundo e estudaram 56 projetos diferentes pela \u00f3tica da governan\u00e7a corporativa francesa, especialidade dos dois, para elaborar um projeto de fair trade, ou com\u00e9rcio justo. Em 2003, fizeram uma viagem de um ano por Brasil, China e \u00cdndia, at\u00e9 que se depararam com a francesa Alter Eco que vendia pupunha brasileiro no mundo como fair trade.<\/p>\n<p>\u201cFoi ali que bateu\u201d, contra Morillion, que descreve ainda que escolheu os t\u00eanis ao ver os modelos da Rainha, que eram usados por pessoas em S\u00e3o Paulo e no Acre, com uma constru\u00e7\u00e3o b\u00e1sica e minimalista. \u201cUm produto democr\u00e1tico e amplo poderia mudar o panorama de verdade, tanto do ponto de vista do consumo, quanto das fam\u00edlias que produzem os insumos para produ\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o tamb\u00e9m pensamos: o que mais compramos na viagem? T\u00eanis. Ent\u00e3o vamos de t\u00eanis\u201d, afirma Morillion.<\/p>\n<p>Desta forma come\u00e7a a produ\u00e7\u00e3o dos t\u00eanis da Veja no Brasil, usando mat\u00e9ria-prima brasileira desde sempre. Por problemas de registro, a Veja teve que se chamar Vert no Brasil (Veja em franc\u00eas), mas isso j\u00e1 muda no ano que vem, quando ser\u00e1 Veja globalmente. Mas, independentemente do nome, o que chama aten\u00e7\u00e3o para a Vert \u00e9 que na guerra ideol\u00f3gica entre capitalismo e socialismo, a marca escolheu a virtude do caminho do meio. Vende os t\u00eanis com alto valor agregado e ticket m\u00e9dio gra\u00fado para quem pode pagar e bonifica as fam\u00edlias produtoras de borracha, por exemplo, bem acima da m\u00e9dia do mercado.<\/p>\n<p>O mercado paga atualmente R$3 o quilo do CVP, o cernambi virgem prensado de borracha. A Vert paga a mais R$0,50 por qualidade e R$10,50 pelo adicional de pagamento por servi\u00e7os socioambientais, o que d\u00e1 um valor de R$14 o quilo. Este adicional \u00e9 pago para as fam\u00edlias que n\u00e3o desmatarem suas terras al\u00e9m do permitido por lei para abrir caminho para o gado ou soja. Tal iniciativa, al\u00e9m de garantir a produ\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex vindo de seringueiras nativas, ainda ajuda a minimizar o desmatamento. Mas isso tem um custo corporativo. Para a Vert conseguir pagar quatro vezes mais \u00e0s fam\u00edlias, a marca teve que abrir m\u00e3o do marketing, que consome boa parte da verba de outras multinacionais de sneakers. A Vert n\u00e3o investe em an\u00fancios, a\u00e7\u00f5es comerciais e trabalha sempre com estoque zero para evitar ao m\u00e1ximo estes custos que inviabilizariam a base de fair trade da empresa.<\/p>\n<p>Mas foi com esta demanda org\u00e2nica e oferta bot\u00e2nica que a Vert passou de 5 mil pares anuais para 4 milh\u00f5es, todos produzidos com borracha do Acre (70%), Amazonas, Rond\u00f4nia e Mato Grosso. E \u00e9 legal ver nos discursos das fam\u00edlias extrativistas o sentimento de pertencimento a uma iniciativa que resguarda a floresta, resgata dignidade e que vai parar nos p\u00e9s de pessoas do mundo todo. \u201c\u00c9 muito bonito ver esta alian\u00e7a dos povos da floresta com o mesmo objetivo, tentando preservar o nosso futuro e tirando o leite da seringueira que vai parar nos t\u00eanis de gente de tanto lugar\u201d, exalta Leide Aquino, lideran\u00e7a feminina da comunidade. Morillion completa: \u201cQuando chegamos ao Brasil vimos que a ecologia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma iniciativa, \u00e9 um movimento social, uma luta pelos direitos dos povos origin\u00e1rios e tradicionais do campo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Crescendo com propriedade<\/strong><br \/>\n  Al\u00e9m da unifica\u00e7\u00e3o dos nomes, que ocorre no ano que vem, a Veja tamb\u00e9m vai abrir sua primeira loja pr\u00f3pria no Pa\u00eds, em S\u00e3o Paulo, em 2024. Atualmente a marca s\u00f3 vende seus modelos em parceiros, inclusive alguns focados exclusivamente na cena sneakerhead, como a Your ID. Hoje, a Veja tem lojas apenas em Paris, a primeira de todas, Bordeaux, Nova Iorque, Berlim e Madri. Mas, al\u00e9m da do Brasil, os planos contemplam mais outras cinco lojas nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Com isso, a produ\u00e7\u00e3o brasileira tamb\u00e9m deve ser ampliada, dos cerca de 4 mil funcion\u00e1rios (500 diretos pela Veja), e a compra de mat\u00e9ria-prima tamb\u00e9m. A marca j\u00e1 ruma em conversas para o Peru no intuito de negociar borracha das seringueiras nativas de l\u00e1. Mas como as fam\u00edlias peruanas n\u00e3o t\u00eam o h\u00e1bito de se unir em cooperativas, a negocia\u00e7\u00e3o com cada fam\u00edlia extrativista tende a ser mais complicada. \u201cN\u00e3o abrimos m\u00e3o dos nossos conceitos. Preferimos produzir e vender menos do que a demanda exige e seguir nosso caminho, a Veja foi criada assim e permanecer\u00e1 assim\u201d, finaliza Morillion.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/emais\/sneakerverso\/vert-mostra-no-acre-como-esta-revolucionando-a-producao-de-tenis\/ \">Vert mostra no Acre como est\u00e1 revolucionando a produ\u00e7\u00e3o de t\u00eanis<br \/>\n<\/a><\/p>\n<p><strong>Foto: Talys Kasper\/Estad\u00e3o<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Blog Sneakerverso Um passeio pela cultura sneakerhead no Brasil e no mundo O calor estava grande naquele 25 de abril, quando recebi o convite da Vert para conhecer o ciclo da borracha no Acre, de onde<\/p>\n","protected":false},"author":10,"featured_media":1432,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-1430","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticia"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1430","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1430"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1430\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1431,"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1430\/revisions\/1431"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1432"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}