{"id":142,"date":"2020-08-19T19:00:35","date_gmt":"2020-08-19T22:00:35","guid":{"rendered":"http:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais2020\/?p=142"},"modified":"2020-08-19T19:00:35","modified_gmt":"2020-08-19T22:00:35","slug":"nao-sou-marca-achei-meu-papel-na-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/marcasmais\/nao-sou-marca-achei-meu-papel-na-crise\/","title":{"rendered":"Entrevista -\u2018N\u00e3o sou marca. Achei meu papel na crise\u2019"},"content":{"rendered":"<h2>Luiza Helena Trajano<\/h2>\n<p><em>Presidente do conselho do <strong>Magazine Luiza<\/strong><\/em><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sou marca. Marca \u00e9 o Magazine Luiza. Eu achei meu papel na crise.\u201d Assim <strong>Luiza Helena Trajano<\/strong> comenta a defini\u00e7\u00e3o a ela atribu\u00edda no momento: empres\u00e1ria emp\u00e1tica e solid\u00e1ria nestes dif\u00edceis tempos de pandemia da covid-19. N\u00e3o \u00e9 que ela n\u00e3o seja tudo isso. Ali\u00e1s, empatia, solidariedade e uni\u00e3o \u00e9 exatamente o que tem defendido. E tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que sua imagem se funde a uma ideia ou um conceito. Desde 1991, ao assumir como diretora superintendente da rede, Luiza Helena, 68 anos, j\u00e1 foi apontada como refer\u00eancia da classe empresarial brasileira e representante do boom varejista, do esp\u00edrito empreendedor nacional e do apoio \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o digital. Tamb\u00e9m virou exemplo de responsabilidade social e da luta por respeito \u00e0 diversidade, \u00e0 igualdade de g\u00eanero e contra a viol\u00eancia dom\u00e9stica. Agora, na pandemia, est\u00e1 nas conversas, defende pequenos empreendedores, negocia medidas emergenciais. N\u00e3o demite. Luiza Helena age.<\/p>\n<h2>Liquida\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica<\/h2>\n<p>O <strong>Magazine Luiza<\/strong> cresceu de forma constante e planejada. Quando j\u00e1 tinha se expandido pelo interior de S\u00e3o Paulo, Tri\u00e2ngulo Mineiro, Paran\u00e1, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, chegou \u00e0 cidade de S\u00e3o Paulo. Os executivos do grupo, Luiza Helena \u00e0 frente, sempre afirmaram que n\u00e3o podiam entrar no mercado paulistano de forma t\u00edmida. Em 2008, inauguraram simultaneamente 46 lojas na capital e atra\u00edram, da noite para o dia, 1 milh\u00e3o de novos consumidores. Sob o comando de Luiza Helena, o perfil inovador virou tradi\u00e7\u00e3o. Ela criou em 1994 promo\u00e7\u00f5es como a Liquida\u00e7\u00e3o Fant\u00e1stica, uma queima de estoque no in\u00edcio de janeiro que at\u00e9 hoje faz milhares de clientes passarem a madrugada nas portas das lojas, e a S\u00f3 Amanh\u00e3, uma s\u00e9rie de descontos rel\u00e2mpagos v\u00e1lidos por um dia.<\/p>\n<h2>Um passo \u00e0 frente<\/h2>\n<p>As vendas por meios eletr\u00f4nicos foram iniciadas pela rede em 1992 e o site do Magazine Luiza, hoje Magalu, estreou em 2000. Luiza Helena defende o formato h\u00edbrido do neg\u00f3cio. Afirma que nunca pensou em separar as opera\u00e7\u00f5es, mesmo com as press\u00f5es do mercado financeiro desde que a empresa abriu seu capital, em 2011. Na atual crise sanit\u00e1ria, isso fez diferen\u00e7a: o surto do novo coronav\u00edrus fechou 1,1 mil lojas f\u00edsicas do grupo, mas a\u00ed as vendas online j\u00e1 representavam algo como 50% do faturamento. Fora isso, para ajudar aut\u00f4nomos e pequenos varejistas, o projeto Parceiro Magalu virou marketplace. Luiza Helena conta que a taxa de comiss\u00e3o cobrada pela rede \u00e9 de 3,99%, muito abaixo do padr\u00e3o pr\u00e9-crise. \u201cAt\u00e9 agora, recebemos 400 mil cadastros\u201d, diz ela.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cSou muito ligada \u00e0 pequena empresa, desde os anos 80. Ent\u00e3o achei o meu papel na crise.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Luiza Helena chamou para si a iniciativa de negociar, por meio do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), medidas emergenciais com \u00f3rg\u00e3os como o Minist\u00e9rio da Economia. O trabalho continuou na fun\u00e7\u00e3o de disseminar essas informa\u00e7\u00f5es \u2013 das mais de 230 lives e entrevistas realizadas desde mar\u00e7o, a executiva n\u00e3o poupou a voz e incluiu nas conversas emissoras de r\u00e1dio do interior para a mensagem chegar para todo mundo.<\/p>\n<h2>N\u00e3o demita<\/h2>\n<p>A empres\u00e1ria tem defendido todos os dias que vivemos um momento que exige uni\u00e3o. Desde o in\u00edcio da crise, essa postura a preserva de cr\u00edticas a outras lideran\u00e7as consideradas exemplos negativos de atua\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o vou falar nada que pregue a desuni\u00e3o. Muitas vezes, o empres\u00e1riomquer comunicar uma coisa e fala outra\u201d, afirma. E acrescenta: \u201cO l\u00edder precisa pensar no modelo ganha-ganha. Se pensar apenas no seu ganho, n\u00e3o vai ganhar\u201d. Luiza Helena prefere listar bons exemplos, como o movimento N\u00e3o Demita, lan\u00e7ado pela \u00c2nima Educa\u00e7\u00e3o e ao qual mais de 4 mil empresas j\u00e1 aderiram. \u201cO Magazine Luiza n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o demitiu, mas chegou a contratar 300 pessoas em Franca\u201d, conta.<\/p>\n<p>Presidente do conselho de administra\u00e7\u00e3o da rede, Luiza Helena come\u00e7ou cedo nas lojas da fam\u00edlia, quando o Magazine Luiza s\u00f3 existia na regi\u00e3o de Franca (SP). Numa entrevista para o<br \/>\nEstad\u00e3o em setembro de 1990, a fundadora da empresa, Luiza Trajano (tia de Luiza Helena), disse lembrar da sobrinha no balc\u00e3o, de fitinha no cabelo. Ela tinha 12 anos e nas f\u00e9rias gostava de ficar nas lojas. Aos 18, entrou para o neg\u00f3cio<\/p>\n<h2>Saudade dos netos<\/h2>\n<p>Embora pare\u00e7a onipresente na internet, disputada que \u00e9 por tantas lives e entrevistas, Luiza Helena diz que a rotina n\u00e3o mudou tanto na pandemia. Ela ainda dorme as mesmas cinco horas por noite e mant\u00e9m v\u00e1rios compromissos no dia. \u201cO que mudou foi que o mundo digital permite entrar em mais coisas ao mesmo tempo. \u00c0 noite, bate um pouco de cansa\u00e7o\u201d, diz. O que a faz ressentir-se \u00e9 a falta dos netos que est\u00e3o em Portugal e na Fran\u00e7a. Eles n\u00e3o se encontram desde fevereiro. A dor s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 maior porque est\u00e3o no Brasil os filhos do CEO da empresa, Frederico Trajano. Estes netos ela v\u00ea. \u201cSempre com muito cuidado.\u201d<\/p>\n<blockquote><p>O l\u00edder precisa pensar no modelo ganha-ganha. Se pensar apenas no seu ganho, n\u00e3o vai ganhar<\/p><\/blockquote>\n<h2>Bandeira pessoal<\/h2>\n<p>Luiza Helena Trajano diz estar muito orgulhosa do empenho dos gestores neste momento de pandemia. \u201cCuidaram da sa\u00fade [dos funcion\u00e1rios] como ningu\u00e9m. N\u00e3o dei um palpite.\u201d Se no passado ela temeu que a empresa se distanciasse do \u201cjeito humano\u201d de lidar, o receio se desfez. \u201cEst\u00e3o fazendo at\u00e9 melhor do que eu.\u201d A empres\u00e1ria est\u00e1 otimista. Acredita que uma vacina surgir\u00e1 em breve e que o despertar da consci\u00eancia social das pessoas e das empresas vai se manter. Para ela, o brasileiro voltou a assumir seu pa\u00eds, fugindo de uma hist\u00f3rica atitude de colonizado. Uma bandeira<br \/>\npessoal que pretende levar adiante \u00e9 a defesa do SUS, o \u201cmelhor sistema p\u00fablico de sa\u00fade do mundo\u201d, no seu entender, se for seguida a Constitui\u00e7\u00e3o. \u201cSa\u00fade para todos \u00e9 um dos pilares do combate \u00e0 desigualdade.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Hist\u00f3ria para contar: Dinheiro, pra que dinheiro<\/h2>\n<p>Em 1957, o casal Luiza e Pelegrino Donato Trajano comprou em Franca uma loja chamada A Cristaleira. O jeito para os neg\u00f3cios e o tratamento \u201colho no olho\u201d que a fundadora destinava aos clientes tornaram natural que um concurso feito numa emissora de r\u00e1dio local tivesse escolhido \u201cLuiza\u201d como o novo nome da loja. O \u201cjeito humano\u201d da tia foi lembrado por Luiza Helena na postagem de um v\u00eddeo antigo no Instagram no in\u00edcio de agosto. Nele, a fundadora da rede ensinava aos vendedores seu conceito de p\u00f3s-venda: \u201cSe chega um cliente na loja para reclamar e um fregu\u00eas vem para comprar, eu atendo primeiro a reclama\u00e7\u00e3o. Porque um fregu\u00eas mal atendido \u00e9 100 perdidos (sic)\u201d, disse a empres\u00e1ria, hoje com 94 anos. Da tia, Luiza Helena diz ter absorvido a disposi\u00e7\u00e3o para encontrar solu\u00e7\u00f5es. \u201cIsso ajudou a desenvolver meu lado de gestora.\u201d A essas caracter\u00edsticas podem ser acrescentadas muitas outras: o amor ao trabalho de vender, o destemor em per\u00edodos de crise, o incentivo \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o e \u00e0 gest\u00e3o profissionalizada e, tamb\u00e9m, a vis\u00e3o estrat\u00e9gica para boas campanhas publicit\u00e1rias. Quando a rede ainda era um acontecimento interiorano, em 1991, Luiza Helena chamou Martinho da Vila para fazer um comercial no lan\u00e7amento do que foi o primeiro cart\u00e3o de loja do Pa\u00eds. \u201cDinheiro, pra que dinheiro\u201d, cantava o sambista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Por Roberto de Lira<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luiza Helena Trajano Presidente do conselho do Magazine Luiza \u201cN\u00e3o sou marca. Marca \u00e9 o Magazine Luiza. 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