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Crise da Covid abriu mais espaço para o EAD e pode consolidar o ensino híbrido

A pandemia de Covid-19 fez com as instituições de ensino superior tivessem que suspender todas as atividades presenciais dos alunos. Feita às pressas, a transição de aulas dos cursos superiores presenciais para o ensino a distância não gerou uma primeira impressão positiva para a maior parte dos estudantes. Pesquisa realizada pela Quero Educação ainda em abril, no início dessa transição, mostrou que 54% dos universitários não estavam satisfeitos com a mudança.“Um dos meus professores ‘desapareceu’ e precisei trancar uma das matérias por falta de resposta. Não tínhamos aula da matéria e as respostas dos e-mails chegavam a cada duas semanas”, relembra Luiza Ambiel, estudante de Administração da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Apesar de gostar da plataforma oferecida pela instituição, Luiza acredita que a comunicação entre alunos e professores dificultou a transição inicial.

Para Marcelo Sabbatini, pesquisador da modalidade de educação a distância (EAD) na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), outros fatores também pesaram nesse processo: “O isolamento social forçado, a ansiedade, o medo da doença, a perda de um sentido de estrutura, de regularidade com deslocamentos e horários, tudo isso impacta o rendimento e a produtividade dos alunos. Somando esses elementos ao formato de ensino emergencial precipitado, é compreensível a percepção negativa.”

Após alguns meses, porém, essa desaprovação começou a dar sinais de queda. Em junho, a mesma pesquisa foi repetida pela Quero Educação e apontou que o índice dos insatisfeitos com a adaptação emergencial para o ensino remoto havia recuado para 45%. Com mais tempo para se organizar, as instituições de ensino, principalmente as que trabalhavam pouco com a modalidade EAD, tiveram condições de capacitar melhor os professores e de atualizar suas plataformas digitais.

“Acredito que a universidade como local de pesquisa, discussão e conversa continuará existindo, mas teremos a oportunidade de flexibilizar os currículos para permitir que determinadas coisas possam ser realizadas online”
Maria Amalia Andery – Reitora da PUC-SP

A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) implementou o ensino remoto síncrono, ou seja, os estudantes acompanham as aulas ao vivo por meio de plataformas online. Essa medida permitiu que o calendário acadêmico fosse mantido para a maior parte dos cursos da instituição. Para Maria Amalia Andery, reitora da universidade, a situação rompeu a resistência dos professores para utilizar a tecnologia a disposição: “Acredito que [após a pandemia] a universidade como local de pesquisa, discussão e conversa continuará existindo, mas teremos a oportunidade de flexibilizar os currículos para permitir que determinadas coisas possam ser realizadas online”.

Marcelo Sabbatini lembra ainda que há a possibilidade de novas ondas de contágio, que poderão exigir novos períodos de quarentena, o que fará com que o ensino híbrido, metodologia que combina o ensino presencial e online, seja uma necessidade. “Por um lado, será uma oportunidade para repensar os métodos tradicionais. Por outro, também temos uma perspectiva de educação instrumentalizada, massificada e automatizada. Será um enorme desafio que exigirá soluções democráticas e participativas, principalmente para superar o problema da desigualdade”, afirma o pesquisador da UFPE.

 

Percepção do EAD comparado ao Presencial

 

Em abril

Melhor Igual Pior
8,57% 13,72% 77,71%

 

Em junho

Melhor Igual Pior
19,21% 23,38% 57,41%

 

Fonte: Pesquisa da Quero Educação – abril e junho/2020 – com estudantes de faculdades privadas

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