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A Pandemia mudou as aulas e atingiu o bolso de quem já está na faculdade

Por Isabela Giordan

 

O ano de 2020 ficará marcado na história como o ano da pandemia de covid-19. Desde que foi registrado pela primeira vez no Brasil, no dia 26 de fevereiro, o vírus trouxe mudanças profundas em vários setores do País. Na tentativa de se evitar uma expansão descontrolada da doença, a maior parte das atividades econômicas teve de ser paralisada. E um dos setores mais afetados pela pandemia foi o da educação.

No ensino superior, cerca de 6,3 milhões de alunos de cursos presenciais tiveram suas aulas interrompidas ou convertidas para o ensino remoto em caráter emergencial ainda no início do ano letivo. “Eu cheguei a ter duas semanas de aulas presenciais, que foram ministradas normalmente. No dia 12 de março, a universidade confirmou a suspensão das aulas no período da manhã, enquanto ainda estávamos em sala”, relembra Amanda Carregari Martinez, estudante de Engenharia Química na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Diante do cenário de crise, o Ministério da Educação (MEC) publicou no dia 20 de março uma portaria autorizando a “substituição das aulas presenciais por aulas em meios digitais enquanto durar a situação de pandemia do novo coronavírus”. Logo em seguida, autorizou a conclusão do ano letivo em menos de 200 dias.

Muitas faculdades optaram por implementar o ensino remoto de maneira emergencial para não ter de suspender totalmente as aulas no primeiro semestre. Mas para muitos estudantes a adaptação para a modalidade de ensino a distância não foi fácil. “Não ter um professor para poder te auxiliar nas aulas e trabalhos está fazendo muita falta. Por conta dessas dificuldades, mais da metade da minha turma trancou o curso por não conseguir acompanhar as aulas remotamente”, conta Camilla Collaço, estudante de Design da Universidade Positivo.

“No início da pandemia, o que eu vi foi o ministro apontando gráficos do que as universidades estavam fazendo. Não houve nenhuma posição do MEC para auxiliar o que as universidades deveriam fazer”
Catarina de Almeida Santos – Coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação

A falta de uma maior atuação do MEC para orientar essa transição também não ajudou. “No início da pandemia, o que eu vi foi o ministro apontando gráficos do que as universidades estavam fazendo. Não houve nenhuma posição do MEC para auxiliar o que as universidades deveriam fazer”, diz Catarina de Almeida Santos, coordenadora do Comitê DF da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Apenas em julho o MEC voltou a tomar ações para auxiliar diretamente estudantes de baixa renda matriculados em universidades e institutos federais com o fornecimento de internet e computadores. De acordo com o ministério, cerca 900 mil alunos seriam beneficiados com a iniciativa.

Além das dificuldades de um cenário que exigiu adaptações muito rápidas, o ensino superior no País também foi atingido em cheio pela crise econômica, que provocou demissões entre os estudantes que já trabalhavam e aumentou o risco de abandono dos cursos nas faculdades privadas.

Pesquisa realizada em junho, pela edtech Quero Educação com alunos dessas instituições, mostrou que 30% dos entrevistados ficaram desempregados após o início da pandemia. “Muitos alunos podem desistir e abandonar os estudos. Se já nos preocupa o porcentual reduzido da população que conseguia passar pelo ensino médio e depois entrar no ensino superior, isso vai se acentuar”, acredita Eliana Amaral, pró-reitora de graduação da Unicamp.

 

O coronavírus lhe causou desemprego?

Sim Não Não trabalho atualmente
30,71% 52,47% 16,82%

Fonte: Pesquisa da Quero Educação – junho/2020 – com estudantes de faculdades privadas

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