{"id":13132,"date":"2018-06-19T10:16:27","date_gmt":"2018-06-19T13:16:27","guid":{"rendered":"http:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/financasmais2018\/?p=13132"},"modified":"2018-06-29T16:41:14","modified_gmt":"2018-06-29T19:41:14","slug":"a-era-das-experiencias-financeiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/financasmais2018\/a-era-das-experiencias-financeiras\/","title":{"rendered":"A era das experi\u00eancias financeiras"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Foi em 2006 que o australiano Brett King tentou convencer o conselho do HSBC de que o futuro dos bancos estava no celular. Sua ideia era que, mais do que o peso das institui\u00e7\u00f5es em si, o que teria valor para o cliente seria a qualidade dos servi\u00e7os \u2013 e, nos aparelhos m\u00f3veis, as possibilidades eram infinitas. Apesar de acreditar que tenha sido entendido por alguns conselheiros, ele bateu num muro de resist\u00eancia relativamente compreens\u00edvel. Afinal de contas, \u00e0 \u00e9poca, celulares inteligentes eram luxo de poucos. De l\u00e1 para c\u00e1, King provou sua tese e se tornou futurologista, autor de best-sellers sobre o futuro dos bancos e apresentador do programa de r\u00e1dio <i>Breaking Banks<\/i>, ouvido por 3,6 milh\u00f5es de pessoas, em 140 pa\u00edses. Foi consultor da gest\u00e3o Barack Obama para o setor banc\u00e1rio, \u00e9 palestrante em diversos centros de pesquisa, entre eles a Singularity University, e fundou a startup de pagamentos banc\u00e1rios m\u00f3veis Moven, que fatura US$ 200 milh\u00f5es e cujo aplicativo \u00e9 usado por mais de um milh\u00e3o de pessoas. Para ele, vivemos o fim do mundo dos bancos como o conhecemos, como explica a seguir:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-13144\" src=\"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/financasmais2018\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Hi_Res_entrevistado.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/financasmais2018\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Hi_Res_entrevistado.jpg 1000w, https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/financasmais2018\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Hi_Res_entrevistado-300x180.jpg 300w, https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/financasmais2018\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/Hi_Res_entrevistado-768x461.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/p>\n<p class=\"p4\"><strong><span class=\"s2\">H\u00e1 mais de dez anos, o senhor j\u00e1 defendia que o futuro dos bancos seria no celular, o que, de fato, vem acontecendo. Qual \u00e9 o pr\u00f3ximo passo?<\/span><\/strong><br \/>\nOs bancos se tornar\u00e3o mais integrados ao mundo tecnol\u00f3gico. A grande diferen\u00e7a n\u00e3o estar\u00e1 nos produtos banc\u00e1rios que temos hoje, mas nas experi\u00eancias. A tecnologia os obrigar\u00e1 a arrancar a complexidade e a oferecer servi\u00e7os mais r\u00e1pidos e simples. A estrutura de produtos que costum\u00e1vamos ter no setor ser\u00e1 trocada pela pura utilidade banc\u00e1ria, por meio da tecnologia. Assistentes virtuais de voz e realidade virtual aumentada s\u00e3o exemplo da evolu\u00e7\u00e3o desse modelo. Isso vai mudar muito a estrutura das organiza\u00e7\u00f5es, o jeito como pensamos, o custo de aquisi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre adicionar tecnologia, \u00e9 uma mudan\u00e7a bastante significativa da perspectiva do desenho de como os bancos funcionam.<\/p>\n<p class=\"p4\"><strong><span class=\"s2\">Os bancos ter\u00e3o uma imagem mais amig\u00e1vel para o consumidor?<\/span><\/strong><br \/>\nTemos novos competidores entrando na briga e crescimento r\u00e1pido de provedores de servi\u00e7os financeiros, que s\u00e3o basicamente empresas de tecnologia escalando muito r\u00e1pido. Os pagamentos na China, por exemplo, s\u00e3o dominados basicamente por duas empresas de tecnologia intensivas financeiramente, o Alipay e o WeChat. Quando se olham transfer\u00eancias e pagamentos entre pa\u00edses, empresas como a TransferWise est\u00e3o crescendo muito, muito mais r\u00e1pido do que competidores tradicionais do setor financeiro. O crescimento que est\u00e1 ocorrendo vem de provedores de servi\u00e7os financeiros n\u00e3o banc\u00e1rios. No futuro, os servi\u00e7os ser\u00e3o mais e mais entregues pela tecnologia do que por bancos. Eles ter\u00e3o de melhorar sua utilidade e confian\u00e7a para competir nesse mundo porque os novos concorrentes t\u00eam como vantagem a experi\u00eancia com o servi\u00e7o. O novo benchmark deixar\u00e1 de ser a confian\u00e7a num banco porque ele tem uma licen\u00e7a para funcionar por algo ligado \u00e0 experi\u00eancia e \u00e0 recomenda\u00e7\u00e3o dos amigos.<\/p>\n<p class=\"p4\"><strong><span class=\"s2\">Nos pa\u00edses em desenvolvimento, especialmente na \u00c1frica, \u00e9 comum a popula\u00e7\u00e3o ser bancarizada pelo celular. O mesmo pode acontecer com as empresas em pa\u00edses como o Brasil, em que o mercado de cr\u00e9dito corporativo \u00e9 relativamente restrito?<\/span><\/strong><br \/>\nNos EUA, a Amazon est\u00e1 profundamente envolvida nisso, bem como outros competidores como o Uber, que est\u00e1 oferecendo bancariza\u00e7\u00e3o pela plataforma para motoristas ou leasing de carros. Vamos come\u00e7ar a ver neg\u00f3cios que precisam de plataformas, como com\u00e9rcio eletr\u00f4nico ou marketing, oferecer crescentemente acesso a servi\u00e7os banc\u00e1rios, que estar\u00e3o dentro de suas pr\u00f3prias estruturas. Amazon, Apple, Linkedin e Alibaba s\u00e3o empresas que, imagino, competir\u00e3o pelos clientes corporativos dos bancos no futuro.<\/p>\n<p class=\"p4\"><strong><span class=\"s2\">Ser\u00e1 o fim do mundo dos bancos como o conhecemos?<\/span><\/strong><br \/>\nEm 15 ou 20 anos, muitos dos bancos que temos hoje n\u00e3o existir\u00e3o mais. Talvez metade deles. Ainda haver\u00e1 bancos, mas crescentemente ficaremos acostumados a ter acesso \u00e0 bancariza\u00e7\u00e3o em qualquer lugar e em outros formatos. N\u00e3o estaremos necessariamente preocupados com quem entrega a capacidade, enquanto ela estiver dispon\u00edvel para n\u00f3s. N\u00e3o pensaremos em quem est\u00e1 por tr\u00e1s, necessariamente.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><i>\u201cMudan\u00e7as lentas na regula\u00e7\u00e3o v\u00e3o significar desvantagem competitiva. Se a economia quiser ser bem-sucedida no futuro, o sistema banc\u00e1rio e financeiro precisa ser muito inovativo\u201d<\/i><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"p4\"><strong><span class=\"s2\">O senhor tem falado com reguladores de mercado mundo afora. Eles t\u00eam entendido o que est\u00e1 acontecendo nessa \u00e1rea?<\/span><\/strong><br \/>\nAlguns sim, outros n\u00e3o. Um bom exemplo \u00e9 como os reguladores est\u00e3o respondendo \u00e0s criptomoedas e aos tokens de ICO [inicial coin offering, uma esp\u00e9cie de crowdfunding em que quem participa se torna acionista da empresa]. Se a rea\u00e7\u00e3o da m\u00eddia \u00e9 torn\u00e1-los ilegais, sem pensar numa base de longo prazo, os reguladores tendem a pensar que proteger o mercado \u00e9 uma necessidade. Com o passar do tempo, o regulador \u00e9 obrigado a mudar: em vez de s\u00f3 proteger o mercado, ele tamb\u00e9m deve entender que \u00e9 preciso inovar, de maneira a se manter competitivo. \u00c9 o caso que aconteceu em Hong Kong, onde a autoridade monet\u00e1ria deliberadamente favoreceu os bancos por muitos anos, restringindo pagamentos peer to peer [transfer\u00eancia entre pares] e outros instrumentos que conduzem \u00e0 inova\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria. Depois de alguns anos, ficou claro que Hong Kong havia ficado para tr\u00e1s em rela\u00e7\u00e3o a Cingapura e \u00e0 China em termos de inova\u00e7\u00e3o, porque eles confiaram nos bancos existentes. Muito rapidamente, no fim do ano passado, a autoridade monet\u00e1ria mudou a dire\u00e7\u00e3o, permitindo fintechs, sandboxes [ambiente de testes para tecnologia] e licen\u00e7as. Introduziram todo tipo de medidas muito agressivas e o argumento foi que, se Hong Kong n\u00e3o o fizesse,<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>perderia sua import\u00e2ncia como centro financeiro internacional porque n\u00e3o conseguiria inovar suficientemente r\u00e1pido. Essa vai ser a constata\u00e7\u00e3o de muitos reguladores: mudan\u00e7as lentas na regula\u00e7\u00e3o v\u00e3o significar uma desvantagem competitiva para o mercado banc\u00e1rio como um todo. Se a economia quiser ser bem-sucedida no futuro, o sistema banc\u00e1rio e financeiro precisa ser muito inovativo.<\/p>\n<p class=\"p4\"><strong><span class=\"s3\">No Brasil, os bancos t\u00eam investido em grandes espa\u00e7os de coworking que abrigam startups e fintechs, tentando estimular empreendedorismo e inova\u00e7\u00e3o dentro de suas pr\u00f3prias estruturas. Isso funciona?<\/span><\/strong><br \/>\nO mercado brasileiro \u00e9 um dos mais agressivos em rela\u00e7\u00e3o a isso, eu o conhe\u00e7o bem. \u00c9 positivo e um jeito de os bancos serem relevantes para jovens profissionais que tentam come\u00e7ar seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio. Ajuda tamb\u00e9m a diminuir a press\u00e3o para que eles devolvam algo \u00e0 comunidade. Tamb\u00e9m \u00e9 um bom jeito de estimularem a integra\u00e7\u00e3o de suas plataformas a essas novas ventures e neg\u00f3cios emergentes porque muitos s\u00e3o baseados em tecnologia. Se os bancos tiverem bons APIs e boa arquitetura de open banking, habilitar\u00e3o empreendedores e pessoas criativas a pensar novos jeitos de trazer os bancos para esse mundo. \u00c9 uma boa estrat\u00e9gia. Sozinha, por\u00e9m, n\u00e3o elimina a necessidade de transforma\u00e7\u00e3o digital dos bancos em si.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi em 2006 que o australiano Brett King tentou convencer o conselho do HSBC de que o futuro dos bancos estava no celular. 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