{"id":3581,"date":"2017-06-29T16:16:27","date_gmt":"2017-06-29T19:16:27","guid":{"rendered":"http:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/financasmais2017\/?p=3581"},"modified":"2017-06-30T03:12:52","modified_gmt":"2017-06-30T06:12:52","slug":"em-busca-do-credito-mais-consciente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/financasmais2017\/2017\/06\/29\/em-busca-do-credito-mais-consciente\/","title":{"rendered":"Em busca do cr\u00e9dito mais consciente"},"content":{"rendered":"<p>Se h\u00e1 uma m\u00e1xima que tem se confirmado nos \u00faltimos tr\u00eas anos, \u00e9 aquela segundo a qual a crise traz oportunidades de aprendizado. Quando se trata de financeiras &#8211; como s\u00e3o popularmente chamadas as sociedades de cr\u00e9dito, investimento e financiamento -, isso vale para as duas pontas do mercado. Afinal, se por um lado as empresas do setor precisaram conhecer melhor o perfil dos clientes para conceder cr\u00e9dito com maior seguran\u00e7a e menos risco de calote, por outro, consumidores, escaldados com a inadimpl\u00eancia, aprenderam que o cr\u00e9dito pode ser um importante aliado, desde que as parcelas do financiamento se encaixem no or\u00e7amento mensal.<\/p>\n<p>Nicola Tingas, economista-chefe da Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Institui\u00e7\u00f5es de Cr\u00e9dito, Financiamento e Investimento (Acrefi), avalia que a combina\u00e7\u00e3o entre maior seletividade em conceder empr\u00e9stimos e retra\u00e7\u00e3o do consumo, notada pelas financeiras ao longo de 2016, integra o ciclo natural do cr\u00e9dito.<br \/>\n\u201cSe a economia cresce, as pessoas t\u00eam emprego, renda maior; se a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 baixa, mais poder aquisitivo e a massa de renda aumentando, h\u00e1 mais dinheiro na pra\u00e7a na m\u00e3o do consumidor. Ele consome parte \u00e0 vista e parte a prazo, com a renda futura. Na recess\u00e3o, a renda futura vira negativa, porque ele perde o emprego. E o cr\u00e9dito se retrai\u201d, diz Tingas.<\/p>\n<p>N\u00fameros do Banco Central (BC) apontam forte subida na concess\u00e3o de cr\u00e9dito ocorrida no Pa\u00eds a partir de 2004, mesmo ano da cria\u00e7\u00e3o do consignado com desconto em folha de pagamento. Em um per\u00edodo de 12 anos, a rela\u00e7\u00e3o cr\u00e9dito\/PIB mais que dobrou: saltou de 23,8% em dezembro de 2002 para 55,8% em fevereiro de 2014.<\/p>\n<p>J\u00e1 por volta de 2012 vieram os primeiros sintomas da ressaca. Com cr\u00e9dito abundante na pra\u00e7a, teve in\u00edcio uma preocupante subida na curva da inadimpl\u00eancia. Isso porque, mesmo empregados e com renda relativamente est\u00e1vel, os consumidores n\u00e3o conseguiam arcar com o pagamento das parcelas dos financiamentos contra\u00eddos, que corro\u00edam parte relevante de seus rendimentos mensais.<\/p>\n<p>Maur\u00edcio Godoi, economista e professor da Saint Paul Escola de Neg\u00f3cios, destaca que o cr\u00e9dito passou por dois per\u00edodos bastante distintos no Pa\u00eds. De 2008 a 2012, houve a tomada do que se costuma chamar de financiamento produtivo, aquele que \u00e9 utilizado para comprar um bem, por exemplo. J\u00e1 a partir de 2013 (em um processo que deve se estender at\u00e9 2021, nas contas do especialista), o financiamento passou a ser feito prioritariamente para sanar d\u00edvidas anteriores.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, o governo tentou gerar uma segunda onda de cr\u00e9dito e consumo, com queda da taxa b\u00e1sica de juros pelo BC, que n\u00e3o se sustentou. Resultado: quem j\u00e1 estava endividado complicou-se ainda mais.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, segundo Tingas, da Acrefi, bancos e financeiras entraram em outra fase: adotaram cautela e conservadorismo na concess\u00e3o de cr\u00e9dito, refor\u00e7aram a cobran\u00e7a dos inadimplentes, partiram para a reestrutura\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas e foram buscar entender onde estavam errando.<\/p>\n<p>Embora esse pare\u00e7a o receitu\u00e1rio adequado para recuperar a sa\u00fade financeira em tempos de crise, nem todas as empresas do setor o adotaram. \u201cH\u00e1 casos de financeiras que viram na possibilidade de conceder cr\u00e9dito sem exigir garantias a clientes com o nome negativado e \u00e0 margem do sistema uma oportunidade de ganhar espa\u00e7o no mercado. E a estrat\u00e9gia deu resultados\u201d, observa Erivelto Rodrigues, presidente da Austin Rating.<\/p>\n<p>O processo de amadurecimento e aprendizado deu sinais importantes em 2016. Mas o cen\u00e1rio ainda \u00e9 desafiador. Embora a taxa de inadimpl\u00eancia do setor tenha se estabilizado e come\u00e7ado a recuar, a redu\u00e7\u00e3o no volume emprestado fez com que o lucro l\u00edquido registrado pelo setor recuasse 35%, caindo de R$ 3,5 bilh\u00f5es, em 2015, para R$ 2,3 bilh\u00f5es, em 2016.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se h\u00e1 uma m\u00e1xima que tem se confirmado nos \u00faltimos tr\u00eas anos, \u00e9 aquela segundo a qual a crise traz oportunidades de aprendizado. Quando se trata de financeiras &#8211; como s\u00e3o popularmente chamadas as sociedades de cr\u00e9dito, investimento e financiamento -, isso vale para as duas pontas do mercado. 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