{"id":24437,"date":"2025-03-17T09:08:24","date_gmt":"2025-03-17T12:08:24","guid":{"rendered":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/financasmais\/?p=24437"},"modified":"2025-03-21T09:11:47","modified_gmt":"2025-03-21T12:11:47","slug":"opiniao-isencao-no-imposto-de-renda-nao-e-almoco-gratis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/financasmais\/opiniao-isencao-no-imposto-de-renda-nao-e-almoco-gratis\/","title":{"rendered":"OPINI\u00c3O. Isen\u00e7\u00e3o no Imposto de Renda n\u00e3o \u00e9 almo\u00e7o gr\u00e1tis"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Fabrizio Guerattto &#8211; Editado por Mariana Collini<\/strong><\/p>\n<p>Quando o governo apresenta uma medida que promete isentar milh\u00f5es de brasileiros do Imposto de Renda 2025, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o se empolgar. Afinal, quem n\u00e3o gostaria de ver um al\u00edvio no bolso, especialmente para as classes m\u00e9dia e baixa, que muitas vezes se sentem sobrecarregadas por tributos?<\/p>\n<!-- In\u00edcio Banner 300x250 --><div class='dfp-tmeio1'><\/div><script type='text\/javascript'> DFP.renderHtml({ 'selector':'div.dfp-tmeio1', 'targets':{ 'formato':'tmeio1' }, 'screenmap':'Tile_300_250_T_250', 'force': true });<\/script><!-- Fim Banner 300x250 --> <p>Por\u00e9m, a proposta de isen\u00e7\u00e3o do IR para quem ganha at\u00e9 R$ 5 mil mensais, apresentada pelo presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT), \u00e9 uma medida populista que esconde custos elevados para os cofres p\u00fablicos, para a credibilidade fiscal do pa\u00eds e para as contas p\u00fablicas. Afinal, se n\u00e3o for devidamente analisada, pode resultar em graves consequ\u00eancias para a economia.<\/p>\n<p><strong>O que muda com a isen\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda?<\/strong><br \/>\nA proposta \u00e9 simples, mas impactante: para aqueles que ganham entre R$ 5 mil e R$ 7 mil, haver\u00e1 descontos progressivos, reduzindo o valor a ser pago. Em contrapartida, o governo pretende aumentar a tributa\u00e7\u00e3o para quem ganha acima de R$ 50 mil mensais, com al\u00edquotas progressivas que podem chegar a 10% para aqueles com rendimentos anuais acima de R$ 1,2 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>A medida promete impactar principalmente os mais ricos, que, em muitos casos, pagam menos impostos devido a rendimentos provenientes de fontes isentas, como dividendos. Mas \u00e9 importante lembrar aqui que essa medida em outros pa\u00edses levou apenas a uma fuga de capital.<\/p>\n<p>A primeira coisa que precisamos entender \u00e9 que a medida de isen\u00e7\u00e3o do IR, se aprovada, beneficiar\u00e1 cerca de 10 milh\u00f5es de pessoas, mas custar\u00e1 aos cofres p\u00fablicos uma perda de arrecada\u00e7\u00e3o estimada em R$ 27 bilh\u00f5es s\u00f3 em 2026. O governo, ao abrir m\u00e3o dessa arrecada\u00e7\u00e3o, enfrenta um desafio: como compensar essa perda em um momento em que j\u00e1 enfrenta um d\u00e9ficit fiscal crescente? Afinal, a perda de arrecada\u00e7\u00e3o da classe m\u00e9dia e baixa ainda precisa ser compensada.<\/p>\n<p>Para mim, a resposta \u00e9 clara: ao priorizar medidas populistas em ano eleitoral, o governo coloca em risco a recupera\u00e7\u00e3o fiscal e a estabilidade econ\u00f4mica do pa\u00eds. A economia brasileira j\u00e1 enfrenta desafios como infla\u00e7\u00e3o alta, baixo crescimento e juros elevados. A isen\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda, sem um controle adequado dos gastos p\u00fablicos, \u00e9 uma estrat\u00e9gia arriscada. O aumento das despesas, com previs\u00e3o de mais gastos para o ano seguinte, agrava ainda mais o cen\u00e1rio fiscal.<\/p>\n<p><strong>Impacto da isen\u00e7\u00e3o nos cofres p\u00fablicos<\/strong><br \/>\nEmbora a medida populista possa agradar a alguns, ela gera um custo elevado para as contas p\u00fablicas, colocando em risco a sa\u00fade financeira do pa\u00eds. Entretanto, o maior erro n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 na perda de receita, mas na falta de uma estrat\u00e9gia clara para lidar com o d\u00e9ficit crescente. Quando se perde uma quantia t\u00e3o grande de dinheiro, a resposta deveria ser a conten\u00e7\u00e3o de gastos. Mas, em vez disso, o governo segue ampliando suas despesas, sem a preocupa\u00e7\u00e3o de garantir que a conta seja fechada no final do m\u00eas. E isso, meus amigos, \u00e9 uma bomba fiscal prestes a estourar.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos negar que a isen\u00e7\u00e3o do Imposto de Renda 2025 tem um apelo imediato. Mas, ao mesmo tempo, sabemos que o \u201calmo\u00e7o gr\u00e1tis\u201d que ela promete n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel a longo prazo. Essa \u201cgenerosidade\u201d tem um pre\u00e7o. Ao n\u00e3o cortar gastos e ao abrir m\u00e3o de uma receita bilion\u00e1ria, o governo coloca em risco a estabilidade das contas p\u00fablicas, a confian\u00e7a dos investidores e das ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco, tornando o Brasil mais vulner\u00e1vel a crises econ\u00f4micas, o que pode resultar em um aumento do pr\u00eamio de risco-pa\u00eds, desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda e press\u00f5es inflacion\u00e1rias adicionais.<\/p>\n<p><em>Foto: GettyImages<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Fabrizio Guerattto &#8211; Editado por Mariana Collini Quando o governo apresenta uma medida que promete isentar milh\u00f5es de brasileiros do Imposto de Renda 2025, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o se empolgar. Afinal, quem n\u00e3o gostaria de ver um al\u00edvio no bolso, especialmente para as classes m\u00e9dia e baixa, que muitas vezes se sentem sobrecarregadas por tributos? 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