{"id":24407,"date":"2025-02-24T17:10:03","date_gmt":"2025-02-24T20:10:03","guid":{"rendered":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/financasmais\/?p=24407"},"modified":"2025-02-26T17:13:19","modified_gmt":"2025-02-26T20:13:19","slug":"empresas-aceleram-ajustes-apos-nova-regulamentacao-da-reforma-tributaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/financasmais\/empresas-aceleram-ajustes-apos-nova-regulamentacao-da-reforma-tributaria\/","title":{"rendered":"Empresas aceleram ajustes ap\u00f3s nova regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p>A reforma tribut\u00e1ria \u2013 a mais profunda transforma\u00e7\u00e3o no sistema brasileiro de apura\u00e7\u00e3o e recolhimento de impostos sobre o consumo \u2013 come\u00e7ar\u00e1 a ser posta em pr\u00e1tica no ano que vem, marcando 2026 como o primeiro dos oito anos at\u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o integral, em 2033.<\/p>\n<p>Os prazos apertados e a complexidade do tema v\u00eam exigindo das empresas uma profunda concentra\u00e7\u00e3o no planejamento de pontos como investimentos, adequa\u00e7\u00f5es e treinamentos, que devem anteceder a ado\u00e7\u00e3o efetiva das novas regras.<\/p>\n<!-- In\u00edcio Banner 300x250 --><div class='dfp-tmeio1'><\/div><script type='text\/javascript'> DFP.renderHtml({ 'selector':'div.dfp-tmeio1', 'targets':{ 'formato':'tmeio1' }, 'screenmap':'Tile_300_250_T_250', 'force': true });<\/script><!-- Fim Banner 300x250 --> <p>Cerca de 20 dias ap\u00f3s a primeira regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma ter sido sancionada \u2013 o que ocorreu em 16 de janeiro, por meio da Lei Complementar 214 \u2013, uma transmiss\u00e3o especial da TV Estad\u00e3o foi realizada pelo Estad\u00e3o Blue Studio em colabora\u00e7\u00e3o com a Deloitte, a maior organiza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os profissionais do mundo.<\/p>\n<p>O painel reuniu dois especialistas no assunto, Carolina Verginelli e Guilherme Giglio, ambos s\u00f3cios de Consultoria Tribut\u00e1ria da Deloitte. Eles trouxeram suas vis\u00f5es sobre as a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a transi\u00e7\u00e3o e os pr\u00f3ximos passos a serem observados em sua execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A principal mudan\u00e7a imposta pela legisla\u00e7\u00e3o rec\u00e9m-aprovada consiste em novas regras para a implementa\u00e7\u00e3o do novo Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Ele ser\u00e1 apurado e recolhido de forma dual, sendo composto pelo Imposto sobre Bens e Servi\u00e7os (IBS), com arrecada\u00e7\u00e3o destinada aos Estados e munic\u00edpios, e pela Contribui\u00e7\u00e3o sobre Bens e Servi\u00e7os (CBS), direcionada ao governo federal. Substituindo os atuais ICMS, ISS, PIS, Cofins e IPI, as novas modalidades representar\u00e3o uma renova\u00e7\u00e3o completa na forma de tributar o consumo, com os consequentes impactos em diversos setores da economia.<\/p>\n<p>Tudo isso vai influir, em maior ou menor escala, a depender do segmento e porte do neg\u00f3cio, em diferentes departamentos das organiza\u00e7\u00f5es. Haver\u00e1 impactos em TI, comercial, vendas, supply chain, jur\u00eddico, RH \u2013 al\u00e9m do tribut\u00e1rio em si, a quem caber\u00e1 liderar os esfor\u00e7os e envolver os colaboradores dentro da nova realidade, lembrando que pelos pr\u00f3ximos anos os dois sistemas de tributa\u00e7\u00e3o, o atual e o novo, conviver\u00e3o ao mesmo tempo.<\/p>\n<p><strong>Lideran\u00e7as devem se envolver<\/strong><br \/>\nO envolvimento dos C-levels, executivos que ocupam cargos com alto poder de decis\u00e3o, al\u00e9m de um esfor\u00e7o coletivo de todos os times, ser\u00e1 decisivo para tornar o processo mais suave e simples, de acordo com Carolina.<\/p>\n<p>\u201cCostumamos dizer que a reforma \u00e9 tribut\u00e1ria apenas no nome, porque ela vai trazer transforma\u00e7\u00f5es muito significativas para as empresas \u2013 entre elas, mudan\u00e7as operacionais, de processos que nem existem hoje, econ\u00f4mico-financeiras, mudan\u00e7as concorrenciais com o fim dos incentivos fiscais, etc.\u201d, listou a especialista, para quem n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que todas as \u00e1reas ser\u00e3o impactadas.<\/p>\n<p>Ela aponta algumas dessas consequ\u00eancias. \u201cTeremos implica\u00e7\u00f5es na \u00e1rea comercial, no modo como as empresas precificam seu produto, no modo como estruturam seus neg\u00f3cios, em como distribuem seus produtos em centros de distribui\u00e7\u00e3o e em rotas de malha log\u00edstica, que hoje s\u00e3o altamente movidas pelos tributos\u201d, disse. \u201cJ\u00e1 a \u00e1rea de suprimentos ter\u00e1 desafios com renegocia\u00e7\u00f5es de contratos, assim como os departamentos jur\u00eddicos, que dever\u00e3o rever as estruturas societ\u00e1rias e os contratos com os fornecedores e clientes.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Carolina, j\u00e1 \u00e9 observado, desde o ano passado, um comportamento das empresas no sentido de entender e agir, abra\u00e7ando o processo como um verdadeiro projeto de neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>\u201cPercebemos que, quando a companhia est\u00e1 engajada, costumam surgir insights important\u00edssimos relacionados a como implementar a reforma e fazer isso trazendo o m\u00ednimo de ru\u00eddo para os neg\u00f3cios, de maneira otimizada e maximizando todos os resultados. E esse \u00e9 um projeto em que a lideran\u00e7a precisa estar engajada e preocupada, para que seja posto em pr\u00e1tica de maneira adequada.\u201d<\/p>\n<p><strong>Departamento tribut\u00e1rio deve agir como elo<\/strong><br \/>\nPara Guilherme Giglio, o grande protagonista neste momento deve ser o setor tribut\u00e1rio da empresa, que precisa agir como o enlace entre os diversos departamentos da organiza\u00e7\u00e3o, liderando os esfor\u00e7os nesta transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuem teve a oportunidade de ler a Emenda Constitucional ou a Lei Complementar 214, que foi aprovada recentemente e regulamentou os novos tributos, viu l\u00e1 que o assunto n\u00e3o \u00e9 simples. Voc\u00ea tem uma s\u00e9rie de regras, de conceitos novos para o nosso ambiente. Voc\u00ea tem um monte de regimes espec\u00edficos\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cA lei tem 544 artigos e uma s\u00e9rie de anexos. Ent\u00e3o, o tema \u00e9 bastante complexo, e dessa forma o departamento tribut\u00e1rio \u00e9 fundamental nas discuss\u00f5es. N\u00f3s temos feito v\u00e1rias reuni\u00f5es, eventos, workshops com todas essas \u00e1reas e vemos que a participa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea tribut\u00e1ria n\u00e3o s\u00f3 enriquece como acaba sendo fundamental.\u201d<\/p>\n<p><strong>Diferentes n\u00edveis de impacto<\/strong><br \/>\nOs especialistas da Deloitte revelaram que, no dia a dia, recebem dos CEOs com frequ\u00eancia uma pergunta: \u201cQual \u00e1rea da minha empresa vai ser mais impactada?\u201d<\/p>\n<p>Para Carolina, n\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica resposta. \u201cDepende muito da ind\u00fastria, depende muito dos clientes da empresa, dos fornecedores dela. Ent\u00e3o, companhias que atendem muito o setor p\u00fablico v\u00e3o ter um impacto importante, por exemplo, em reequil\u00edbrio dos contratos em licita\u00e7\u00f5es. J\u00e1 organiza\u00e7\u00f5es que dependem muito de determinados fornecedores v\u00e3o ter que prestar aten\u00e7\u00e3o na renegocia\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os de compra. A reforma tribut\u00e1ria n\u00e3o come\u00e7a apenas com o c\u00e1lculo do impacto financeiro do fim dos incentivos e da carga tribut\u00e1ria futura. Essa \u00e9 a ponta do iceberg\u201d, analisou.<\/p>\n<p>A legisla\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria traz mecanismos completamente novos, como o chamado split payment (modelo de recolhimento de tributos no qual os impostos s\u00e3o recolhidos diretamente no momento da liquida\u00e7\u00e3o financeira entre comprador e fornecedor, com o montante pago pelo comprador sendo automaticamente dividido entre o fornecedor e os entes federativos).<\/p>\n<p>Essa modalidade, segundo a executiva, tem um vi\u00e9s de potencialmente trazer efeitos no fluxo de caixa das empresas grandes, o que precisa ser medido e calculado, para que se entenda onde, exatamente, o neg\u00f3cio ser\u00e1 impactado.<\/p>\n<p><strong>Investimentos em tecnologia e capacita\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nGiglio avalia que a quest\u00e3o de ado\u00e7\u00e3o de novas tecnologias nos sistemas \u00e9 uma das mais relevantes e complexas no processo da reforma.<\/p>\n<p>\u201cA maioria das grandes empresas utiliza sistemas globais, onde fica a fonte da informa\u00e7\u00e3o, e que s\u00e3o, muitas vezes, pouco flex\u00edveis a adapta\u00e7\u00f5es, pouco amig\u00e1veis para configurar. E temos muitas particularidades no ambiente tribut\u00e1rio brasileiro.\u201d<\/p>\n<p>Dessa forma, qualquer mudan\u00e7a na legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, como novos atributos ou diferentes bases de c\u00e1lculo, altera\u00e7\u00f5es em c\u00f3digos ou layouts de notas fiscais, demanda energia e investimentos.<\/p>\n<p>\u201cNesse contexto, est\u00e1 claro para a gente que utilizar sistemas e ferramentas auxiliares vai agilizar e facilitar bastante a implementa\u00e7\u00e3o da reforma. Estou falando de motor de c\u00e1lculo, de software fiscal que vai l\u00e1, captura a informa\u00e7\u00e3o, tem a interface, emite a nota fiscal, gera as obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias, enfim, esses sistemas com certeza podem ajudar bastante. Eles v\u00e3o ser complementares aos atuais\u201d, analisou o executivo. \u201cE a parte de treinamento \u00e9 essencial. Felizmente, j\u00e1 observamos uma busca grande e um alto interesse nesse ponto.\u201d<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode assistir novamente ao painel, que teve a media\u00e7\u00e3o do jornalista Daniel Gonzales, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=KuUT5RTsR4E&#038;t=259s\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">clicando aqui<\/a>. <\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/patrocinados.estadao.com.br\/deloitte-esg\/2025\/02\/12\/empresas-correm-contra-o-tempo-apos-primeira-regulamentacao-da-reforma-tributaria\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">Empresas aceleram ajustes ap\u00f3s nova regulamenta\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria<\/a> <\/p>\n<p><em>Fonte: GettyImages<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reforma tribut\u00e1ria \u2013 a mais profunda transforma\u00e7\u00e3o no sistema brasileiro de apura\u00e7\u00e3o e recolhimento de impostos sobre o consumo \u2013 come\u00e7ar\u00e1 a ser posta em pr\u00e1tica no ano que vem, marcando 2026 como o primeiro dos oito anos at\u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o integral, em 2033. 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