{"id":22585,"date":"2024-11-11T19:09:09","date_gmt":"2024-11-11T22:09:09","guid":{"rendered":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/financasmais\/?p=22585"},"modified":"2024-11-13T19:11:52","modified_gmt":"2024-11-13T22:11:52","slug":"o-que-a-selic-a-1125-significa-para-seus-investimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/publicacoes.estadao.com.br\/financasmais\/o-que-a-selic-a-1125-significa-para-seus-investimentos\/","title":{"rendered":"O que a Selic a 11,25% significa para seus investimentos?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Jenne Andrade &#8211; editada por Mariana Collini<\/strong><\/p>\n<p>O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (6) subir a taxa b\u00e1sica de juros Selic em 0,5 ponto porcentual, para 11,25% ao ano. Esta \u00e9 a segunda eleva\u00e7\u00e3o feita no governo do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) \u2013 e n\u00e3o deve ser a \u00faltima. De acordo com o Boletim Focus, relat\u00f3rio que re\u00fane proje\u00e7\u00f5es do mercado sobre dados macroecon\u00f4micos, a Selic deve chegar a dezembro em 11,75% ano. Ou seja, com mais 0,5 ponto porcentual de alta.<\/p>\n<!-- In\u00edcio Banner 300x250 --><div class='dfp-tmeio1'><\/div><script type='text\/javascript'> DFP.renderHtml({ 'selector':'div.dfp-tmeio1', 'targets':{ 'formato':'tmeio1' }, 'screenmap':'Tile_300_250_T_250', 'force': true });<\/script><!-- Fim Banner 300x250 --> <p>Esse cen\u00e1rio representa uma grande virada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 conjuntura esperada em janeiro. No in\u00edcio de 2024, a expectativa era de que os juros continuassem em trajet\u00f3ria de queda e chegassem ao patamar de 9% at\u00e9 o final do ano, com vistas a descer para 8,5% em 2025. Hoje, o consenso aponta para uma Selic de 11,5% no ano que vem, com cortes mais relevantes somente a partir de 2026.<\/p>\n<p>A reviravolta acontece em fun\u00e7\u00e3o das preocupa\u00e7\u00f5es do mercado com o cen\u00e1rio fiscal do Pa\u00eds. Os agentes econ\u00f4micos ainda n\u00e3o enxergam medidas que resultem em uma estabiliza\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica. Pelo contr\u00e1rio, as perspectivas, agora, s\u00e3o de crescimento dos gastos.<\/p>\n<p>Alguns dados que assustaram vieram, por exemplo, do d\u00e9ficit prim\u00e1rio das estatais entre janeiro e agosto. O montante chegou a R$ 7,2 bilh\u00f5es, segundo o Banco Central (BC), o maior patamar da s\u00e9rie hist\u00f3rica iniciada pela autoridade monet\u00e1ria h\u00e1 22 anos. O governo chegou a publicar uma nota afirmando que, deste valor, R$ 3,3 bilh\u00f5es se referiam \u00e0s empresas p\u00fablicas federais. Contudo, n\u00e3o diminuiu a surpresa negativa com o n\u00famero. Paralelamente, o novo arcabou\u00e7o fiscal, que j\u00e1 nasceu desacreditado em fun\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia do aumento de receitas, enfrenta ainda mais questionamentos.<\/p>\n<p>Tudo isso gera a percep\u00e7\u00e3o de risco fiscal maior e, por consequ\u00eancia, leva a uma leitura de que a infla\u00e7\u00e3o e os juros dever\u00e3o ser mais altos no futuro. Agora, o mercado aguarda uma sinaliza\u00e7\u00e3o do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre cortes de gastos.<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m esperava isso (aumento de juros) at\u00e9 seis meses atr\u00e1s. Uma mudan\u00e7a dessa magnitude \u00e9 bem complicada\u201d, afirma Rodrigo Cohen, analista de investimentos. \u201cO mercado n\u00e3o gosta dessa pol\u00edtica progressista de Lula. Temos o d\u00f3lar l\u00e1 em cima quase nas m\u00e1ximas da hist\u00f3ria em termos nominais. Ent\u00e3o o BC tem que fazer a parte dele, sendo uma institui\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma, independente.\u201d<\/p>\n<p>Por outro lado, h\u00e1 quem veja um certo exagero nas proje\u00e7\u00f5es tra\u00e7adas pelo mercado. Isto porque, hoje, a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 fora de controle. Em 12 meses, entre setembro de 2023 e setembro de 2024, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da infla\u00e7\u00e3o, acumula alta de 4,42%. O crescimento de 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre ficou acima das expectativas e a nota de cr\u00e9dito do Brasil foi elevada de Ba2 para Ba1 pela ag\u00eancia Moody\u2019s de classifica\u00e7\u00e3o de risco.<\/p>\n<p>A Selic 11,25% ao ano tamb\u00e9m coloca o Brasil como o terceiro pa\u00eds de maiorjuro real do mundo, ou seja, descontando a infla\u00e7\u00e3o. Os dados s\u00e3o da MoneYou. \u201cDado o n\u00edvel atual de juros, acredito que uma alta adicional poderia ter efeitos restritivos demais sobre o crescimento. O BC deve avaliar o cen\u00e1rio com aten\u00e7\u00e3o e, se poss\u00edvel, sinalizar uma pausa, observando se a infla\u00e7\u00e3o responde aos ajustes j\u00e1 feitos\u201d, destaca Elaine Domenico, especialista em investimentos e s\u00f3cia da The Hill Capital.<\/p>\n<p><strong>Renda fixa com a Selic mais alta<\/strong><br \/>\nOs juros mais altos devem continuar dificultando a capta\u00e7\u00e3o dos fundos multimercados, que acumulam resgates de R$ 198,2 bilh\u00f5es em 2024, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). As empresas mais endividadas da Bolsa tamb\u00e9m devem sofrer mais com juros altos. Por outro lado, a renda fixa se beneficia da alta de juros, j\u00e1 que grande parte dos ativos tem par\u00e2metro na Selic.<\/p>\n<p>Simone Albertoni, especialista da \u00c1gora Investimentos, aponta que o mercado havia precificado antecipadamente essa nova alta dos juros. Por isso, os pr\u00eamios dos t\u00edtulos de renda fixa j\u00e1 haviam incorporado a eleva\u00e7\u00e3o nas taxas. Para a analista, as maiores oportunidades est\u00e3o nos p\u00f3s-fixados e IPCA+. Ou seja, nos pap\u00e9is que acompanham a varia\u00e7\u00e3o dos juros e possuem liquidez di\u00e1ria, como Tesouro Selic, e aqueles que pagam a varia\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o mais um rendimento real, como o Tesouro IPCA+.<\/p>\n<p>\u201cMuitos t\u00edtulos de renda fixa tiveram suas taxas aumentadas, com oportunidades de investimentos interessantes nos atuais n\u00edveis de pre\u00e7os\u201d, diz Albertoni. Entretanto, o investidor deve ficar atento aos vencimentos devido \u00e0 marca\u00e7\u00e3o a mercado. Com exce\u00e7\u00e3o dos p\u00f3s-fixados, as demais categorias de t\u00edtulos de renda fixa (prefixados e IPCA+) sofrem com volatilidade. Os pre\u00e7os desses pap\u00e9is variam diariamente conforme as expectativas econ\u00f4micas. Em termos gerais, quando os juros sobem, esses ativos desvalorizam na carteira, de forma que vendas antes do vencimento podem fazer oinvestidor perder dinheiro. J\u00e1 quando os juros caem, os cupons se valorizam.<\/p>\n<p><strong>O que fazer em momentos de oscila\u00e7\u00e3o dos juros?<\/strong><br \/>\nPara fugir dessa oscila\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso deixar o capital at\u00e9 o vencimento do t\u00edtulo. Assim, o investidor ter\u00e1 exatamente a rentabilidade contratada na compra. \u201cUma exposi\u00e7\u00e3o maior em renda fixa pode ser recomendada em momentos de Selic elevada, pois garante seguran\u00e7a e retornos consistentes. No entanto, o perfil do investidor \u00e9 fundamental: quem busca longo prazo e tolera oscila\u00e7\u00f5es pode manter uma parcela de diversifica\u00e7\u00e3o em ativos de risco\u201d, afirma Domenico, especialista em investimentos e s\u00f3cia da The Hill Capital.<\/p>\n<p>Essa tamb\u00e9m \u00e9 a vis\u00e3o de Cohen. \u201cGosto muito do Tesouro Selic e do Tesouro IPCA+, que est\u00e1 pagando uma taxa bem alta, quase 7%, com juros subindo. A gente tem o pre\u00e7o do Tesouro cada vez mais baixo porque as taxas v\u00e3o aumentando\u201d, diz o analista. \u201cSe voc\u00ea entra agora, \u00e9 ruim para o curto prazo, mas \u00e9 bom para o longo prazo.\u201d<\/p>\n<p>J\u00e1 os t\u00edtulos prefixados seriam mais arriscados nesse momento. \u201cN\u00e3o sabemos at\u00e9 onde os juros podem ser elevados. Mercado fala de taxas acima de 12% para o ano que vem\u201d, afirma Cohen.<\/p>\n<p>Segundo levantamento feito por Rafael Haddad, planejador financeiro do C6 Bank, o conservador Tesouro Selic, papel mais seguro do mercado, deve apresentar uma rentabilidade bruta de 12,99% em 12 meses. Considerando os descontos de Imposto de Renda (IR), o retorno l\u00edquido deve ficar em 10,5% ao ano. Descontando a infla\u00e7\u00e3o, o ganho real ainda \u00e9 bastante positivo, de 6,17%.<\/p>\n<p>Entre os instrumentos de renda fixa levantados, o maior rendimento ficou com os ativos incentivados, que possuem isen\u00e7\u00e3o do IR, como as Letras de Cr\u00e9dito Imobili\u00e1rio e do Agroneg\u00f3cio (LCIs e LCAs) e deb\u00eantures. Entretanto, a liquidez costuma ser menor, o que significa que o investidor pode n\u00e3o conseguir resgatar o dinheiro a qualquer tempo. Os c\u00e1lculos foram feitos com base nas proje\u00e7\u00f5es para os juros futuros expressas nos contratos de DI. Tamb\u00e9m foram aplicadas ao c\u00e1lculo as expectativas infla\u00e7\u00e3o do \u00faltimo Boletim Focus, de 4,08% para os pr\u00f3ximos 12 meses.<\/p>\n<p>\u201cDado desse aumento de juros futuros, as rentabilidades da renda fixa subiram bastante. Todos os produtos da simula\u00e7\u00e3o tiveram aumentos de retornos. Esses momentos de incerteza podem ser boas oportunidades para travar taxas mais altas\u201d, afirma Haddad, planejador financeiro do C6 Bank.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/einvestidor.estadao.com.br\/investimentos\/como-ficam-os-investimentos-com-a-selic-a-11-25-ao-ano-renda-fixa\/\" rel=\"noopener\" target=\"_blank\">O que a Selic a 11,25% significa para seus investimentos?<\/a> <\/p>\n<p><em>Foto: Adobe Stock<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jenne Andrade &#8211; editada por Mariana Collini O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (6) subir a taxa b\u00e1sica de juros Selic em 0,5 ponto porcentual, para 11,25% ao ano. 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