O s vencedores da 4ª edição do Prêmio Finanças Mais, parceria do Estadão e do Broadcast com a Austing Rating, foram anunciados durante uma cerimônia virtual realizada na manhã do dia 21 de outubro. Os principais executivos dos vencedores de todas as 15 categorias acompanharam o evento por videoconferência e demonstraram grande satisfação pelo reconhecimento, o que comprova a importância que o prêmio vem ganhando ano a ano.

Durante o evento, Bruno Funchal, secretário do Tesouro Nacional, participou como convidado de uma mesa-redonda.

Doutor em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Funchal respondeu a perguntas feitas pela jornalista Eliane Cantanhêde, colunista do Estadão, pelo jornalista Fábio Alves, colunista do Broadcast, e pelo ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, sócio da Tendências Consultoria, também parceira do evento.

Um dos temas iniciais da conversa foi a grande quantidade de títulos públicos que vencerão no primeiro quadrimestre de 2021 – um total de R$ 643 bilhões. Segundo Funchal, o governo está preparado para pagar essas dívidas e destacou as providências que vêm sendo tomadas para reduzir gradualmente o risco fiscal, a exemplo da reforma da Previdência e do teto de gastos.

A pandemia contribuiu, no entanto, para elevar a relação dívida/PIB do Brasil de 76% em 2019 para os atuais 94%. O ex-ministro Mailson da Nóbrega lembrou que a média dos países emergentes para o período da pandemia, de acordo com o Fundo Monetário Internacional, teve um salto de 53% para 62% – ou seja, nove pontos porcentuais, metade do que ocorreu no Brasil.

É preciso ir sempre avançando no debate para encontrar as soluções que contemplem da melhor forma todos os interesses. O debate que ocorreu na reforma da Previdência precisa ser feito com o novo programa social e a consolidação fiscal
Bruno Funchal, secretário do Tesouro Nacional

Processo democrático

Funchal afirmou que a relação dívida/PIB só poderá ser reduzida de duas formas – de um lado, o crescimento econômico; de outro, o controle de gastos. E lembrou que outras possibilidades testadas no passado demonstraram que não são viáveis.

“Na década de 1980, o Brasil bancou o financiamento das despesas com inflação. Na década de 1990, com aumento de impostos. Depois, a partir da crise de 2008, com o aumento da dívida, que passou de 50% para 75% do PIB. Todas essas se mostraram contraproducentes. O momento é de dar um passo à frente e discutir a qualidade dos gastos”, analisou.

O único caminho, observa Funchal, é prosseguir com a agenda de reformas. Questionado sobre as dificuldades em conciliar interesses econômicos e políticos, o secretário do Tesouro Nacional classificou essas diferenças como normais e parte do processo democrático. “É preciso ir sempre avançando no debate para encontrar as soluções que contemplem da melhor forma todos os interesses. O debate que ocorreu na reforma da Previdência precisa ser feito com o novo programa social e a consolidação fiscal”, exemplificou.

Apesar de admitir as dificuldades, a mensagem final de Funchal foi de otimismo. “Estamos numa situação difícil, saindo de uma pandemia, mas temos uma agenda clara e um governo e um Congresso dispostos a fazer as reformas necessárias”, afirmou.