Boas práticas, inclusão e engajamento como parte do negócio

Destaques focaram em responsabilidade social, inclusão e economia circular

Colocar a sustentabilidade como parte do negócio e, com isso, conseguir engajamento em boas práticas tanto de colaboradores como de fornecedores e consumidores é um ponto em comum das empresas que se destacaram nessa categoria especial na edição 2021 do Estadão Empresas Mais.

Suzano, Flex (antiga Flextronics) e Americanas são de segmentos muito diferentes, mas se aproximam em temas como responsabilidade social, inclusão e economia circular.

Na Suzano, que lidera o ranking geral de sustentabilidade, o tema é considerado o primeiro pilar da empresa, segundo Cristiano Oliveira, gerente executivo da área. “É a essência do negócio. A Suzano é uma empresa florestal, portanto de capital natural. A estratégia (da área) é ligada a uma expectativa de transparência, do diálogo com todos os stakeholders, dos nossos relacionamentos e também uma alavanca de sustentação dos valores”, afirma Oliveira.

“A Suzano é uma empresa florestal, portanto de capital natural. A estratégia da área de sustentabilidade é ligada a uma expectativa de transparência, do diálogo com todos os stakeholders, dos nossos relacionamentos e também uma alavanca de sustentação dos valores”
Cristiano Oliveira, gerente-executivo da Suzano

A empresa trabalha com 15 metas principais, que vão da diversidade e inclusão, passando por uso de água, energia e redução de carbono, entre outras. A meta mais recente é relacionada à biodiversidade. A companhia se comprometeu a conectar até 2030 meio milhão de hectares de áreas prioritárias para a preservação nos biomas Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia – o que equivale a quatro vezes a cidade do Rio de Janeiro.

Além do meio ambiente, a empresa também investe em melhorar a capacidade de resiliência da populações mais carentes que estão em sua área de atuação. Na pandemia, os projetos ambientais – focados em de agricultura regenerativa – garantiram trabalho e renda para mais de 10 mil famílias em condições de vulnerabilidade social.

“Cada localidade tem características diferentes. Nosso papel é o de apoiar as comunidades, mas não é filantropia. Damos alavancas estruturantes. Para os jovens, educação, com melhoria dos sistemas locais de educação básica. A segunda frente em que atuamos é a da geração de renda”, explica o gerente de Sustentabilidade.

Isso se dá com o apoio a projetos de gestão e governança, como na forma de acessar novos mercados. Em 2020, por exemplo, a empresa estimulou a competência do delivery de algumas comunidades. “Em São Paulo, as famílias que a gente apoia quase dobraram as vendas. Essa competência vai continuar a ser de grande valor depois da crise”, prevê Oliveira.

Flex e a economia circular

Nos tempos atuais, é comum que a tecnologia fique cada vez mais eficiente a cada nova geração de gadgets e isso estimula a troca de um produto seminovo por um novo. O descarte ou reúso correto desses resíduos virou um desafio constante. Por isso, a fabricante de equipamentos eletrônicos Flex (antiga Flextronics), segunda no ranking, colocou a economia circular no centro da estratégia. Criada há nove anos, a subsidiária Sinctronics tornou-se um centro de inovação voltado a transformar os resíduos eletroeletrônicos em matéria-prima de alto valor, que será utilizada para produzir novas peças para novos equipamentos. Ou seja, o que era rejeito volta para o processo.

O centro fica em Sorocaba, o que facilita em termos geográficos. A cidade fica perto de centros produtivos e de pessoas que consomem produtos eletrônicos no dia a dia. Segundo a empresa, os novos produtos feitos por meio de processos da economia circular saem prontos de Sorocaba para as lojas. Outro desdobramento do projeto é que ele ajuda a enfrentar um gargalo importante do setor: a escassez de matéria-prima. Como os materiais voltam para as cadeias de produção, a pressão sobre recursos naturais, usados nos processos de fabricação, também diminuiu.

 

Americanas investe no social

Na Americanas, no terceiro posto, a preocupação sustentável também vem de longe. Em 2007, por exemplo, foi criado o Comitê Companhia Verde, para definir os rumos que o tema sustentabilidade teria dentro da empresa. Mais recentemente, em outubro de 2021, a companhia lançou a iniciativa Americanas + Clima, com foco em sensibilizar o consumidor final em prol do consumo alinhado à responsabilidade socioambiental. Disponível no site e no app da Americanas, o projeto auxilia os clientes a identificar produtos que possuem certificações sustentáveis confiáveis e que contribuem para a redução dos impactos das mudanças climáticas.

A companhia também avançou em termos de inclusão social na pandemia. Em abril deste ano, lançou o projeto Americanas na Favela. Por meio dele, milhares de moradores de comunidades como Paraisópolis, Heliópolis, Cidade Júlia, Capão Redondo e Diadema, em São Paulo, e Rocinha e Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, começaram a receber suas compras feitas no e-commerce na porta de casa. Isso não era possível antes por causa de inúmeros desafios logísticos, como CEPs e numerações irregulares. Para atingir esse objetivo, foram feitas parcerias com o G10 Favelas, bloco de líderes e empreendedores de impacto social, e com a startup de logística Favela Brasil Xpress.