Construção civil fecha o ano em ritmo de aquecimento

Campeã do setor no Estadão Empresas Mais, construtora Tenda registra recorde histórico no terceiro trimestre

O setor de construção civil apresenta sinais claros de aquecimento nesta reta final de 2020. No terceiro trimestre houve crescimento de 5,6% em relação ao trimestre anterior, de acordo com os resultados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados pelo IBGE – foi o melhor índice trimestral desde o início de 2014. Esse resultado compensa parte da queda de 9,1% registrada no segundo trimestre, quando as incertezas relacionadas à chegada da pandemia ao Brasil praticamente paralisaram o setor, causando o pior trimestre da construção civil desde 1996.

A construtora Tenda, primeira colocada do setor de Construção Civil no Estadão Empresas Mais, retrata bem a fotografia do ano. O terceiro trimestre foi o melhor dos 51 anos de história da companhia. Atuando em parceria com o Casa Verde e Amarela (programa do governo federal que substituiu o Minha Casa Minha Vida), a Tenda registrou vendas de R$ 742,1 milhões entre julho e setembro, crescimento de 28,7% em comparação ao trimestre anterior. O lucro líquido no período chegou a R$ 70,5 milhões.

“O ano está acabando muito melhor do que podíamos imaginar quando estourou a crise da covid-19”
Rodrigo Osmo, CEO da Tenda

Foram 17 empreendimentos lançados pela Tenda no terceiro trimestre, espalhados por oito das nove regiões metropolitanas em que a construtora e incorporadora atua. O valor potencial de vendas desses empreendimentos, R$ 984,2 milhões, supera o obtido em todo o primeiro semestre, R$ 795,8 milhões.

“O ano está acabando muito melhor do que podíamos imaginar quando estourou a crise da covid-19”, diz Rodrigo Osmo, CEO da Tenda. A incerteza e a expectativa de forte recessão levaram a empresa a projetar um cenário quase catastrófico, com quedas nas vendas no patamar de 70% ao longo de um ano e meio, previsão que a levou a reforçar o caixa com a captação de recursos no sistema financeiro.

As lojas físicas foram desativadas por causa da pandemia e o processo de vendas online, que já estava em desenvolvimento, foi acelerado. “Em um mês tudo já estava sendo feito pela internet”, lembra Osmo. “Como a Tenda é muito conhecida, as pessoas se sentiram seguras para usar essa ferramenta.”

O CEO atribui o sucesso atual da Tenda a uma decisão estratégica tomada em 2012, depois que a empresa quase foi à falência: focar em habitações populares, reduzir a dispersão geográfica de atuação e padronizar ao máximo os projetos, com muita disciplina de execução e sempre em busca da excelência operacional. “Essas diretrizes proporcionaram uma recuperação gradual e culminaram com o excelente desempenho de 2019, quando nos tornamos a terceira maior incorporadora do País e alcançamos alta rentabilidade”, ele descreve.

 

Otimismo controlado

Na avaliação da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o ritmo de retomada do setor poderia ser ainda mais acelerado se não fosse a escassez de insumos básicos, a exemplo de tubos e conexões de PVC, vergalhões, tubos e conexões de ferro e aço, condutores elétricos, cimento e bloco cerâmico.

Isso fez o ritmo de muitas obras ser reduzido e causou também grande parte da alta de 14,5% no custo com materiais e equipamentos registrada nos dez primeiros meses do ano, de acordo com o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Osmo acredita que haja uma grande demanda reprimida no setor, mas considera o cenário para 2021 ainda muito incerto, por conta de uma série de variáveis – além da disponibilidade e dos custos dos materiais de construção, também a vacinação, o impacto do fim do auxílio emergencial e as questões fiscais brasileiras, entre outros. “Não dá para ser superotimista. Prefiro ficar com um pé atrás e me surpreender com um ano melhor do que imaginava, como está acontecendo com 2020”, diz o CEO da Tenda.