Ferramentas robustas de e-commerce garantiram vendas na crise

Grupo Tramontina vai continuar investindo em canais de vendas online mesmo depois do fim da crise sanitária

As vendas do e-commerce dispararam neste ano de pandemia, com crescimento de 87% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo levantamento da SpendingPulse, obtido pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Esse bom desempenho das vendas virtuais foi fundamental nos resultados das empresas do setor de bens de consumo, uma vez que, com as lojas fechadas devido ao isolamento social provocado pela pandemia, a alternativa foi investir no comércio eletrônico.

“O e-commerce foi um canal importante de compra durante a pandemia e nossos centros de distribuição pelo País foram essenciais para atender essa demanda crescente no meio online. Entendemos que a tendência das compras online veio para ficar e, por isso, manteremos nossas operações da melhor maneira possível, sempre trazendo as novidades das lojas físicas para o nosso e-commerce”, diz Clovis Tramontina, presidente do Conselho de Administração da Tramontina. Prestes a completar 110 anos de história em 2021, a companhia lidera o ranking Empresas Mais 2020 na categoria Bens de Consumo.

“A Tramontina sempre apostou em soluções tecnológicas para otimizar a produtividade e reduzir custos a partir de ampliação e melhorias no parque fabril”
Clovis Tramontina, presidente do Conselho de Administração da Tramontina

Além da aposta no e-commerce, o executivo destaca que investimentos em tecnologia de produção, conhecimento e inovação são pilares que formam a base de expansão industrial da empresa. “A Tramontina sempre apostou em soluções tecnológicas para otimizar a produtividade e reduzir custos a partir de ampliação e melhorias no parque fabril”, diz.

Hoje o grupo conta com unidades que se encaixam no conceito de indústria 4.0, que engloba as principais inovações tecnológicas dos campos de automação, controle e tecnologia da informação, aplicadas aos processos de manufatura. “Este conhecimento foi indispensável neste período de pandemia que exigiu tanto de nossa capacidade produtiva e de logística”, avalia Tramontina.

A empresa conta com mais de 18 mil itens em seu portfólio, com produtos que atendem segmentos diversos, desde utensílios e equipamentos para cozinha, eletros, ferramentas para agricultura, jardinagem, manutenção industrial e automotiva, veículos utilitários, construção civil até materiais elétricos e móveis de madeira ou plástico. “Atualmente, são dez fábricas no País, sendo oito no Rio Grande do Sul, uma em Belém (PA) e outra em Recife (PE)”, diz. Ao todo são mais de 8.500 colaboradores. Destes, 20% já trabalham na Tramontina há mais de 20 anos.

“A O-I está muito satisfeita com o desempenho do ano passado e diversos fatores impactam nossos resultados positivamente, o principal deles é, sem dúvida, o contínuo reconhecimento e preferência do consumidor ao vidro e a bebidas e alimentos de qualidade”
Daniel Jekl, gerente de Marketing da O-I

O mercado exterior também tem ganhado destaque na companhia, que começou a exportar em 1969 e hoje já atende mais de 120 países. A expectativa é de que, até o fim deste ano, as exportações representem cerca de 30% de todas as vendas da marca em 2020.

Segunda colocada no ranking do Setor de Bens de Consumo, a receita global da O-I (Owens-Illinois) em 2019 atingiu US$ 6,7 bilhões, sendo o Brasil um país muito importante e relevante para a operação global. “A O-I está muito satisfeita com o desempenho do ano passado e diversos fatores impactam nossos resultados positivamente, o principal deles é, sem dúvida, o contínuo reconhecimento e preferência do consumidor ao vidro e a bebidas e alimentos de qualidade”, diz Daniel Jekl, gerente de Marketing da O-I. Segundo ele, as expectativas para este e os próximos anos são extremamente positivas com a crescente demanda pelo vidro em todas as categorias que a companhia abastece.

De acordo com o gestor, apesar das incertezas da companhia, assim como todas as empresas tinham no início da pandemia, a mudança no hábito de consumo (em casa) somada à rápida recuperação em V da economia impactaram de forma muito positiva as contas da empresa. Para Jekl, o comércio eletrônico continuará tendo destaque no setor. “Nossos clientes têm investido muito nos canais digitais e em todos eles vemos notadamente a presença do vidro e de bebidas premium com rápido e fácil acesso. Uma grande parte da população acabou aprendendo a utilizar os aplicativos para compra online e acreditamos que essa tendência será incorporada na vida dos consumidores brasileiros mesmo no pós-pandemia.”

Falta de insumos ainda trava setor

 

O impacto da pandemia da covid-19 no setor de Bens de Consumo foi bem diferente do esperado inicialmente. Mesmo sem poder sair de casa, os brasileiros continuaram consumindo bastante e o auxílio emergencial fez aumentar a venda de produtos e serviços. Com a restrição de circulação e sem esperar um aumento no consumo, a indústria freou a produção logo no início da pandemia e o reflexo está sendo sentido até hoje com a falta de insumos para diversos setores. Aos poucos, no entanto, a indústria começa a estabilizar a produção e a expectativa é de que a distribuição de insumos seja regularizada logo no início do próximo ano. Enquanto isso não ocorre, as empresas buscam alternativas para driblar a falta de matéria-prima.

Este é o caso da Owens-Illinois. “Mesmo com a crescente demanda, a O-I vem conseguindo suportar o abastecimento dos mercados onde atuamos”, diz Daniel Jekl, gerente de Marketing do grupo. Muitas vezes, ele explica, a saída é recorrer às importações, o que sempre traz um desafio maior por causa da exposição cambial dessas operações. “Diversas frentes e força-tarefa dos nossos times de Supply Chain e Procurement permitiram manter a nossa operação em pleno funcionamento”, complementa o executivo.

Clovis Tramontina, presidente do Conselho de Administração da Tramontina

Ele destaca que, passada a pandemia, a empresa seguirá mantendo todas as regras de saúde para preservar os colaboradores. Globalmente, a O-I conta com mais de 25,5 mil pessoas em 72 fábricas espalhadas por 20 países. Em 2019, a receita mundial do grupo bateu os US$ 6,7 bilhões. Na América do Sul, região que conta com a operação do Brasil e da Argentina, a O-I possui mais de 2.600 funcionários que trabalham em plantas localizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Vitória de Santo Antão, Rosário (Argentina) e uma mineradora em Descalvado.

No caso da Tramontina, o drible na crise ocorreu principalmente, além do fortalecimento do e-commerce, por causa de ajustes nos processos produtivos. “Mantivemos alguns lançamentos que estavam previstos para 2020 e reorganizamos nossa comunicação para ser cada vez mais assertiva e adequada durante este período de pandemia”, diz Clovis Tramontina, presidente do Conselho de Administração da Tramontina.

“Neste, que foi um ano atípico, a Tramontina reavaliou todo o seu planejamento e, com o engajamento e dedicação de todos, conseguimos superar as adversidades. Estamos otimistas em relação a 2021, pois o consumidor está observando os protocolos sanitários e tendo cada vez mais confiança e segurança em frequentar lojas, bares, restaurantes, hotéis e demais serviços. Quem se preparar adequadamente para receber este consumidor terá um grande ano em 2021”, afirma o executivo.