Cooperativismo em alta transforma a agroindústria

A C.Vale, campeã da categoria Agricultura e Pecuária, fechará o ano com crescimento de 25%

O setor cooperativista está muito bem representado, nesta edição do Estadão Empresas Mais, pela C.Vale, vencedora da categoria Agricultura e Pecuária. “Esse reconhecimento nacional fortalece nosso propósito, que é a busca por um mundo mais próspero por meio da produção de alimentos de excelência”, diz Alfredo Lang, diretor-presidente da cooperativa.

Fundada em 1963, em Palotina (PR), por um grupo de 24 agricultores, a cooperativa agroindustrial expandiu sua atuação para quatro outros Estados – Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – e também para o Paraguai. Hoje, com atuação na produção de soja, milho, trigo, mandioca, leite, frangos, peixes e suínos, são 156 unidades de negócios, com mais de 23 mil associados e 12 mil funcionários.

O ano de 2019 já havia sido consideravelmente desafiador, com as estiagens que atrapalharam a produção de soja. Essa dificuldade foi compensada, no entanto, pelas exportações de frango, impulsionadas com a alta do dólar e a demanda decorrente da peste suína na China.

Ninguém poderia imaginar, no entanto, o que viria pela frente em 2020. O grande aprendizado deste ano tem sido exercitar a capacidade de adaptação, considera o diretor-presidente da C.Vale.

“Imagine paralisar uma cadeia produtiva de 620 mil frangos ou 100 mil tilápias por dia. Além do mais, quem iria abastecer os supermercados?”
Alfredo Lang, diretor-presidente da C.Vale

“Quando a pandemia começou, algumas pessoas defendiam que até mesmo as indústrias de alimentos parassem suas atividades. No nosso caso, isso não seria possível”, diz Lang. “Imagine paralisar uma cadeia produtiva de 620 mil frangos ou 100 mil tilápias por dia. O que fazer, principalmente com os frangos, que são mais frágeis? Eles começariam a morrer aos milhares. Além do mais, quem iria abastecer os supermercados?”, questiona o líder da cooperativa.

O único caminho possível foi continuar operando com as adaptações necessárias – especialmente nos frigoríficos, que concentram grande número de funcionários. “Tomamos uma série de providências, como câmeras que fazem verificação da temperatura corporal, equipamentos de proteção, higienização de instalações, aumento do número de ônibus para funcionários, adaptação de restaurantes e do ambiente de trabalho”, descreve Lang.

Foi preciso se adaptar também às mudanças no perfil de consumo. Com o fechamento de restaurantes e bares, a cooperativa aumentou a produção de carne de frango voltada ao consumo doméstico. No mercado externo, as negociações ficaram mais lentas no início da pandemia, porque os compradores não sabiam qual seria o impacto no consumo de carnes.

“Acredito que a demanda externa por carnes e grãos continuará forte. Nossa aposta é de que o agronegócio será o segmento econômico que mais vai amenizar os efeitos da pandemia no Brasil.”
Alfredo Lang, diretor-presidente da C.Vale

Otimismo para 2021

Mesmos com todos os percalços, a C.Vale deverá crescer pelo menos 25% em faturamento neste ano. A visão do diretor-presidente para 2021 é otimista. “Acredito que a demanda externa por carnes e grãos continuará forte. Nossa aposta é de que o agronegócio será o segmento econômico que mais vai amenizar os efeitos da pandemia no Brasil.”

Além da produção de alimentos, a cooperativa oferece crédito aos associados, especialmente os de menor porte. Comercializa, também, insumos, peças e acessórios, além de revender máquinas agrícolas com preços mais competitivos. A rede de supermercados próprios tem oito lojas.

Uma das marcas da C.Vale são os investimentos constantes no aprimoramento da equipe e também na atualização dos cooperados, que têm à disposição uma série de cursos e treinamentos, além de eventos como os Dias de Campo, focados na disseminação de novas tecnologias. Em apoio a esse processo, mais de 250 profissionais prestam assistência técnica diretamente nas propriedades dos associados.

Enfrentar desafios, o DNA da C.Vale

No início dos anos 1960, as dificuldades que os agricultores enfrentavam no interior do Paraná eram muitas. Faltavam locais para o armazenamento da produção, não se conseguia escoar a safra e era difícil obter crédito e assistência técnica de qualidade.

Com a meta de driblar todos esses empecilhos, um grupo de 24 agricultores resolveu fundar a Cooperativa Agrícola Mista de Palotina Ltda. (Campal) no dia 7 de novembro de 1963.

O ano de 1969 marca o início efetivo das atividades da cooperativa com o recebimento de trigo no armazém de um moinho de Palotina, cidade de pouco mais de 30 mil habitantes no interior do Paraná. Em 1970 teve início a construção do primeiro armazém da cooperativa.

O rápido crescimento da produção levou a Campal a ter de se estruturar. Foram, então, construídas unidades de recebimento de cereais no próprio município. Com a divisão territorial da região oeste do Estado entre as cooperativas, a Campal expandiu-se para além das fronteiras de Palotina. Em 1974, os associados decidiram alterar a razão social da empresa, que passou a se chamar Cooperativa Agrícola Mista Vale do Piquiri Ltda. (Coopervale). Em 1981, a Coopervale passou a atuar em Mato Grosso e, em 1984, no Estado de Santa Catarina.

No início dos anos 1990, a Coopervale montou um plano de modernização ouvindo milhares de associados, em trabalho coordenado por Alfredo Lang, presidente da cooperativa em 1995. O nome atual, C.Vale – Cooperativa Agroindustrial –, existe desde 21 de novembro de 2003.