Transparência e engajamento como peças-chave

Mesmo na pandemia, empresas transformam boas ideias em ações reais

A pandemia do novo coronavírus colocou à prova a governança das empresas em todo o planeta, especialmente aspectos da transparência e do engajamento no campo da responsabilidade social. Os grupos que aparecem com destaque no ranking de Governança Corporativa do Estadão Empresas Mais mostraram ser possível transformar boas ideias em ações concretas mesmo em épocas de crise.

Para o Fleury, que lidera o ranking de 2021, o momento foi duplamente desafiador. A empresa estava em processo de troca de conselheiros quando a crise chegou – alguns até de fora do País – e até a recepção dos recém-chegados teve de passar por adaptações para ser feita de forma mais ágil, explica Andrea Bocabello, diretora executivade Estratégia, Inovação e ESG do grupo.

“Fizemos um coaching, com reuniões personalizadas e individuais para ganhar velocidade nas decisões”
Andrea Bocabello, diretora do Fleury

A empresa adotou um sistema com reuniões virtuais focadas nas discussões estratégicas, enquanto as documentações prévias e posteriores eram distribuídas por meios eletrônicos. A ideia principal era que o “tempo de tela” precisava ser gasto mais com estratégia e menos com burocracia. Para isso, houve uma preparação. “Fizemos um coaching, com reuniões personalizadas e individuais para ganhar velocidade nas decisões”, explica.

Em termos estratégicos, o Fleury evoluiu nas questões de diversidade e ESG, estreitou a comunicação e criou fóruns com colaboradores e clientes.

Renner

A Lojas Renner, segunda colocada do ranking, possui uma experiência de 16 anos de atuação com o modelo corporativo pulverizado, destaca o diretor-presidente da companhia varejista, Fabio Faccio. O código de conduta da organização conta com várias políticas escritas e públicas como as anticorrupção, de compliance e de negociação de valores mobiliários.

A varejista tem ainda diretorias não estatutárias, que dão continuidade ao trabalho de formação e valorização dos talentos internos. Um dos exemplos, segundo o executivo, é a Diretoria de Riscos, criada em 2019 e que trabalha próxima às áreas do negócio, dando apoio consultivo a identificação, prevenção e tratamento dos principais riscos dos negócios do grupo. “E também promovendo a conscientização das áreas sobre uma cultura preventiva de se fazer gestão dos riscos.” São várias categorias que vivem sob constante monitoramento. Entre elas, a dos riscos operacionais, estratégicos, reputacionais e socioambientais, além dos emergentes, como pandemias e de cibersegurança.

“Temos uma atuação ampla e sólida na área da sustentabilidade, que envolve do planejamento de lojas ao pós-consumo. Essa atuação tem suporte em um investimento social consistente, através do Instituto Lojas Renner”, diz Faccio. O executivo destaca ainda a transparência com que o grupo atua. Os temas ambientais, sociais e de governança, neste contexto, são constantemente apresentados aos diferentes stakeholders, seja por meio de campanhas ou via reuniões e eventos com investidores.

COAMO

A cooperativa Coamo, do Paraná, ficou em terceiro lugar no ranking de Governança e é a primeira colocada na categoria Agricultura e Pecuária. O presidente executivo, Airton Galinari, iniciou sua gestão praticamente no momento em que a crise chegou. “Mudamos o modelo de comunicação, não só com os cooperados, mas com os fornecedores e os clientes, com força no digital.” Isso se mostrou essencial para um público que precisa se informar sobre insumos, precificação e detalhes logísticos.

Faz alguns anos que a cooperativa separou a gestão de governança. O conselho cria as estratégias e diretrizes, enquanto a implementação das metas e a administração do dia a dia ficam a cargo de outro grupo de diretores. Galinari diz que esse modelo não é o padrão do setor, mas permite muito mais foco no negócio. Pelo menos em termos operacionais, a iniciativa se mostrou acertada. Em 2020, a Coamo registrou uma receita de R$ 20 bilhões, a maior da história. E uma sobra líquida de R$ 1,1 bilhão, distribuída aos cooperados.

O grupo também tem uma preocupação com o futuro. Concluiu com êxito sua 24ª turma de um curso de gestão e sucessão, uma espécie de MBA para seus cooperados. O modelo EAD usado no ano passado deu tão certo em termos de adesão e participação que deve acabar se tornando o padrão no futuro, segundo o presidente do grupo.

Os números da Coamo

  • Receitas globais: R$ 20 bilhões
  • Faturamento: R$ 19,3 bilhões
  • Sobras líquidas: R$ 1,1 bilhão
  • Ativo total: R$ 12,3 bilhões
  • Exportações em US$: 1,5 bilhão
  • Exportações em toneladas: 4,6 milhões
  • Vendas de produtos agrícolas: R$ 8,4 bilhões
  • Vendas de produtos agrícolas em toneladas: 6,1 milhões
  • Investimentos: R$ 414,8 milhões
  • Recolhimento de tributos: R$ 467 milhões