O mercado de seguros no Brasil ainda tem muito a crescer. Números da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg) indicam que apenas 30% da população tem algum produto desse tipo – para a maior parte das pessoas, fazer um plano de previdência ou buscar proteção para o carro ou a casa ainda é um luxo. Mesmo assim, os números de 2016 apontam para um aumento levemente acima da inflação oficial (6,29%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA). Relatório divulgado em fevereiro deste ano pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), autarquia federal vinculada ao Ministério da Fazenda, revela que, somando os cinco grandes grupos de negócios (seguros de pessoas, produtos de acumulação, produtos de risco, capitalização e seguros gerais), o total comercializado no ano passado chegou a R$ 239,3 bilhões, 9,3% a mais do que os R$ 219 bilhões registrados em 2015.

Assim, o discurso dos três vencedores desta edição do ranking Marcas Mais é bastante semelhante, sem citar a palavra crise. “A dificuldade de crescer impacta na evolução dos negócios, na geração de empregos e na implantação de novos investimentos, mas nossa estratégia de longo prazo permanece intocada”, diz Fabio Luchetti, presidente da Porto Seguro, a empresa mais desejada pelos entrevistados pelo segundo ano consecutivo. “O cenário atual aponta para a continuidade de desenvolvimento acima do Produto Interno Bruto (PIB) e confirma que temos espaço para avançar”, emenda Alexandre Nogueira, diretor do Grupo Bradesco Seguros, o segundo colocado na preferência do público. “As receitas estão ‘andando de lado’, mas aumenta o interesse das pessoas pelos diferentes tipos de seguro, principalmente os de previdência privada. Isso mostra o desejo de construir poupança para ter uma velhice com mais dignidade”, completa Fernando Chacon, diretor de marketing da Itaú Seguros, a terceira na lista dos mais votados neste ano.

Luchetti, da Porto Seguro, afirma que as pessoas “preocupadas com a crise nas instituições do Estado têm mais expectativa de que a iniciativa privada possa entregar serviços e produtos com transparência, ética e qualidade”. Por isso, não basta criar campanhas e ações de comunicação com frases bonitas e de impacto. “O propósito da marca precisa estar impregnado nos produtos e serviços que são ofertados a toda a sociedade”, completa Luchetti. As três companhias garantem ainda que os atributos mais importantes para fidelizar os consumidores são a confiança, a agilidade e a prontidão no atendimento nos diversos canais. Daí a relevância de ouvir o público para atender aºs suas necessidades, garantindo, assim, o valor do serviço prestado.

Todos concordam também que o futuro desse mercado é cada vez mais digital. “Os clientes querem ser atendidos a qualquer hora e em qualquer lugar e, por isso, é essencial investir em inovação e na melhoria da experiência”, acredita Nogueira, da Bradesco Seguros. “O senso de oportunidade e a capacidade das empresas de se reinventar serão fundamentais numa sociedade sedenta por novidades. Quem não for mais elástico, leve e criativo terá dificuldade de se conectar com seu público”, conclui Luchetti, da Porto Seguro.

Os três atributos mais importantes para fidelizar o consumidor são confiança, agilidade e rapidez no atendimento

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