Tempos de crise sempre exigem maior restrição nos orçamentos das famílias e isso tem impacto direto no número de viagens de lazer realizadas. Mas há locais de turismo no Brasil que não sentiram o momento de contenção. Fernando de Noronha, mais lembrado na categoria Destinos Turísticos Nacionais, é um deles. “Mesmo com o cenário recessivo do País, houve aumento no número de visitantes em comparação aos anos anteriores. As pessoas deixaram de viajar para o exterior e vieram para Noronha. E também houve um crescimento no número de turistas estrangeiros”, comemora o administrador-geral do arquipélago pernambucano, Luís Eduardo Antunes. Segundo dados do Ministério do Turismo, a região recebeu 91 mil visitantes em 2016. A estratégia adotada para chamar ainda mais atenção para o local foi transformá-lo em destino de ecoturismo e investir em materiais informativos. Entre eles, um Manual para Operadores de Turismo. “Nossa meta é aumentar o tempo de permanência do turista, beneficiando a cadeia produtiva local”, diz.

Para dar conta de um público cada vez mais conectado, Fernando de Noronha investiu em melhorias do acesso à internet. “Foram colocados pontos gratuitos e ampliação da banda larga nos prédios públicos, o que foi um grande desafio pelas limitações geográficas do arquipélago”, conta Antunes. O uso de ferramentas digitais tem permitido uma gestão administrativa mais participativa, como o uso do aplicativo Colab, onde são postadas as demandas da comunidade e permite planejar as ações de melhorias da região de forma mais estratégica.

Fortaleza, capital do Ceará (única cidade brasileira presente na lista dos 15 destinos “tendência” elaborada pelo aplicativo Airbnb), ficou em segundo lugar entre os mais lembrados no estudo Marcas Mais, empatada com o Estado de Santa Cantarina. De acordo com a Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte de Santa Catarina, o Estado liderou um processo de articulação com  Rio Grande do Sul e Paraná para reivindicar mais espaço nas ações de promoção nacionais e internacionais promovidas pelo Ministério do Turismo e pela Embratur. A iniciativa resultou na campanha “O Sul É Meu Destino”, que em breve será lançada com foco nos três Estados da região Sul do Brasil.

Mesmo para as queridinhas dos turistas, como Fortaleza, campanhas e participação em eventos do setor são fundamentais. “Trabalhamos fortemente nas feiras e também apoiando as operadoras e investindo em publicidade para o público final”, diz o secretário do Turismo do Ceará, Arialdo Pinho. Um exemplo de ação é a campanha “Descubra Ceará”, que teve início no segundo semestre de 2015 e tem sido veiculada nas principais mídias (TV, revistas, jornais, internet e redes sociais), além de englobar ações em aeroportos e shoppings nacionais e internacionais.

De acordo com a Secretaria de Turismo do Ceará, o número de turistas do Estado aumentou 2,5% de 2014 para 2015 e se manteve em 2016 no patamar de 3,2 milhões de visitantes. “Tivemos também bons índices de ocupação hoteleira, apesar da crise”, comemora. No início deste ano, a cidade de Natal (no Rio Grande do Norte), terceiro destino mais lembrado entre os entrevistados no estudo, ganhou um plano de marketing para promover novas opções de turismo. O estudo, segundo informações do Ministério do Turismo, além da presença em feiras e eventos de turismo da região, prevê a criação de uma marca turística oficial da cidade, maior atuação nas redes sociais e o desenvolvimento de um aplicativo sobre o destino.

As pessoas deixaram de viajar para o exterior e passaram a procurar novos destinos dentro do próprio Brasil

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