Em 2013, a produção total (entre veículos leves, caminhões e ônibus) chegou a mais de 3,7 milhões de unidades. No ano passado, o terceiro seguido de queda nas vendas, esse número ficou em 2,1 milhões. E as perspectivas para 2017 não são exatamente mais animadoras. Na comparação com o total de licenciamentos realizados no primeiro trimestre, 2017 registrou a quarta redução consecutiva: 628,9 mil novos documentos, ou 2,4% menos que os 644,3 mil registrados em 2016. “Nós estamos bem, somos líderes de mercado há 18 meses, mas hoje a indústria, apesar de ainda ser a sétima maior do mundo, é metade do que gostaríamos”, resume Hermann Manhke, diretor de marketing da GM Mercosul (que, com a marca Chevrolet, lidera pela segunda edição seguida o ranking Marcas Mais).

De acordo com ele, desenho, performance e conectividade (o mix de tecnologias, sistemas de segurança e kits multimídia que “conversam” com os smartphones) são os três atributos que garantem o bom desempenho da empresa neste momento. Eric Sulzer, diretor de criação para a Chevrolet na agência Commonwealth/McCann, e o também diretor de criação Fernando Penteado acrescentam que o novo posicionamento da Chevrolet foi importante nesse momento de crise. “Mais do que um slogan, a frase ‘Find New Roads’ é o principal valor da marca, que busca novos caminhos para se destacar.”

Gustavo Schmidt, vice-presidente de vendas e marketing da Volkswagen do Brasil, a segunda colocada do ranking, ao lado da Honda, afirma que as marcas “precisam cada vez mais de serviços diferenciados, que tragam conveniência e benefícios exclusivos para o consumidor”. Foi com esse pensamento que a empresa desenvolveu o Volkswagen Virtual Experience, que usa ações de realidade virtual para fazer um test-drive e uma visita digital ao showroom de uma concessionária, “permitindo que o cliente veja detalhadamente os modelos de automóveis, por dentro e por fora, ajudando-o a fundamentar seu processo de decisão de compra”.

Assim como os outros nomes lembrados pelos entrevistados, também a Hyundai e a Ford (que empataram na terceira colocação do ranking) acreditam que o Brasil conseguirá superar a crise econômica e estão atentas às transformações tecnológicas e comportamentais que prometem impactar o futuro da indústria. “Existe uma demanda global por alternativas práticas de transporte, que colaborem para a redução do trânsito e da poluição nas grandes cidades”, explica Antônio Baltar, diretor de vendas e marketing da Ford. Para avançar nessas questões, a companhia criou o Ford Smart Mobility, plano global de soluções em conectividade, mobilidade, veículos autônomos, experiência do consumidor e processamento de dados. “E isso vale para quem quer ter um carro e também para quem não quer.”

Cássio Pagliarini, diretor de marketing da Hyundai Motor Brasil, acrescenta ainda que a principal demanda dos consumidores hoje “gira em torno dos serviços, mais do que do produto em si”. E esse cenário, na opinião dele, “abre oportunidades para consolidar o relacionamento com o cliente”.

Veículos autônomos, carros compartilhados e a questão de como melhorar a mobilidade urbana são os três grandes desafios do segmento no futuro próximo

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