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Tendências que agitam as profissões

Tendências de profissões

Envelhecimento populacional

A população brasileira está envelhecendo. Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 25,5% dos brasileiros (mais de 58 milhões de pessoas) terão 65 anos ou mais em 2060. Hoje esse porcentual está em apenas 9,5%. A expectativa de vida para os homens, que era de 62,3 anos em 1990, já passou de 72 anos e chegará a 77,9 anos em 2060. Para as mulheres, ela será de 84,2 anos.

Essas projeções apontam que, em duas décadas, teremos mais idosos que crianças no País, uma mudança importante no perfil populacional que provocará impactos diretos no mercado de trabalho. “Com o aumento do número de idosos no Brasil e a busca constante pela prevenção de doenças e promoção da saúde, a demanda por profissionais para lidar com esse público tende a crescer. E ainda há poucos especialistas para atendê-lo”, explica Rosa Yuka Sato Chubaci, coordenadora do curso de Gerontologia da Universidade de São Paulo (USP). Os gerontólogos são profissionais responsáveis pela gestão de organizações voltadas aos idosos e pelo desenvolvimento de intervenções para preparar as pessoas para um envelhecimento com qualidade de vida. Ou seja, os formados na área poderão ter grandes oportunidades nas próximas décadas.

Para Nelson Yoshida, professor do Programa de Estudos do Futuro, da Fundação Instituto de Administração (Profuturo-FIA), não são apenas as profissões diretamente relacionadas à área da saúde, ao desenvolvimento de medicamentos ou às pesquisas médicas que serão impactadas pelo envelhecimento populacional: “Esses campos de trabalho vão contar com o apoio da tecnologia, principalmente na área de softwares e aplicativos, que podem ajudar a criar produtos e serviços para a população mais sênior”.

Um relatório do Profuturo-FIA sobre o mercado de trabalho aponta que o aumento da longevidade da população também criará oportunidades para carreiras voltadas a atividades e prestação de serviços, destacando o aconselhamento de aposentadoria, os planos para gestão dos recursos financeiros e as atividades culturais.

Cursos beneficiados: profissões da área da saúde ou relacionadas, como Biotecnologia, Educação Física, Enfermagem, Engenharia Biomédica, Farmácia-bioquímica, Fisioterapia, Geriatria, Gerontologia, Informática e Medicina. Também terão impacto positivo cursos voltados à orientação previdenciária, planos de seguro e aposentadoria, como os de Administração Pública, Ciências Atuariais e Gestão de Seguros.

 

Valorização da qualidade de vida

Além de viver mais, os brasileiros querem viver melhor. Por isso, vem crescendo o interesse da população em adotar novos hábitos. “Hoje, há uma tendência de consumo mais responsável, compra de produtos orgânicos, procura por atividades e serviços de cuidados com o corpo. Até o uso de bicicletas cresceu no Brasil, virou uma febre e gerou empregos. Tudo isso está diretamente ligado à qualidade de vida da pessoa”, diz Leandro Pereira Morais, professor do Departamento de Economia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e consultor da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

E os brasileiros não estão só valorizando cuidados com a parte física do corpo, mas também atividades e serviços que beneficiem a sua saúde mental. É uma forma de enfrentar um mundo cada vez “mais acelerado”, que gera estresse e ansiedade, inclusive entre os jovens, levando até mesmo ao uso exagerado de medicamentos ansiolíticos e antidepressivos. Olhar mais para as questões da mente é uma forma de tentar reverter esse quadro.

Viver bem, no entanto, vai além de uma questão de saúde: as pessoas também querem lazer. Isso pode favorecer áreas como Turismo. “Especialmente o Turismo Rural. Essa ideia de passar o fim de semana em família, com ar puro, muito verde, montanhas e cachoeiras é uma tendência. Isso ainda ajuda a dinamizar a localidade e resgatar a história da região e da gastronomia”, prevê o professor.
A busca por maior comodidade pode ser outro desdobramento dessa tendência, o que ampliará os serviços em ambiente virtual, segundo o relatório do Profuturo-FIA. Pela internet, as pessoas farão cada vez mais compras online, cursos a distância e vão se entreter. Um bom sinal para carreiras na área de Marketing e Publicidade com especializações em E-commerce.

Cursos beneficiados: Biomedicina, Educação Física, Esporte, Estética e Cosmética, Gastronomia, Gestão de Turismo, Hotelaria, Marketing, Medicina, Nutrição, Psicologia, Publicidade e Propaganda, Saúde Coletiva, Terapia Ocupacional e Turismo.

 

Preocupação com a sustentabilidade

Aquecimento global, desmatamento, gestão dos recursos naturais e do lixo, reeducação do consumo e busca por soluções sustentáveis. Esses são temas cada vez mais frequentes não só na agenda de governos e empresas, mas também de muitos cidadãos. “As pessoas estão preocupadas com essas questões e têm a noção de que preservar o meio ambiente é importante. Há uma mudança de comportamento”, aponta o professor Nelson Yoshida, do Profuturo-FIA.

Muitos países estão focando a redução de poluentes no ar – até para atingir compromissos assumidos internacionalmente – e trabalhando para incorporar métodos mais eficientes na produção, usando tecnologias limpas. “Isso tem gerado e vai gerar uma série de empregos, tanto na indústria quanto na construção civil, com o uso de materiais sustentáveis, reutilização de água e, inclusive, captação de energia solar”, diz o consultor da OIT Leandro Morais.

As oportunidades no mercado de trabalho aparecerão, sobretudo, para os chamados empregos verdes, que são os postos de trabalho que contribuem significativamente para a redução das emissões de carbono e para melhorar ou conservar a qualidade ambiental. Essas ocupações podem ser encontradas em diversos setores: produção de energia, reciclagem, atividade agrícola, construção civil e transportes.
Segundo Stela Luiza de Mattos Ansanelli, professora do Departamento de Economia da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp, a regulamentação ambiental é uma das variáveis que podem potencializar a geração de empregos verdes: “Um exemplo é a Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em 2010. Nela, está imposta a minimização da geração de resíduos sólidos, urbanos e industriais, e a responsabilização do agente produtor pela destinação e tratamentos adequados dos resíduos. Aqui, portanto, há um campo vasto para criação de empregos em prefeituras, empresas e demais instituições”.
Outro grande desafio ambiental para o Brasil é a efetiva implantação da logística reversa. Nosso país é o segundo maior gerador de lixo eletrônico das Américas. “O descarte inadequado traz sérias implicações à saúde humana e ao meio ambiente, podendo contaminar o solo, o ar e a água. A reciclagem segura e adequada permite a valorização econômica desse lixo eletrônico e a criação de empregos”, acredita a professora Stela Ansanelli.

A transição para fontes renováveis de energia também é uma realidade que já abriu um vasto campo de trabalho. Atualmente, o Brasil é um dos líderes mundiais na produção de energia hidrelétrica e de biocombustíveis. Entretanto, há espaço para energia solar, eólica e bioenergia.

Cursos beneficiados: Biocombustíveis, Ciências Biológicas, Direito Ambiental, Ecologia, Economia Ecológica, Engenharia Ambiental, Engenharia de Alimentos, Engenharia de Energia, Engenharia Florestal, Engenharia de Materiais, Energia e Sustentabilidade, Energias Renováveis e Gestão Ambiental.

 

Expansão do agronegócio
O agronegócio reúne as várias atividades da cadeia de produção agropecuária, do trabalho de cultivo à fabricação de colheitadeiras e tratores. O setor já é responsável por mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e, mesmo em meio às crises econômicas, ganhou espaço para se tornar um dos mais representativos do mundo. De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o País é o maior exportador de açúcar, café e suco de laranja, além de estar entre os maiores exportadores de milho e de carnes bovina, suína e de frango.

As perspectivas para o agronegócio continuam sendo de crescimento da produção, da produtividade e do volume de vendas para o exterior. “A busca por profissionais nessa área vai aumentar. O agronegócio é um carro-chefe do Brasil, que vem avançando em tecnologia e em produtos que agregam maior valor na produção”, afirma o professor Leandro Morais.

Assim como outros setores, o agronegócio tem recebido muitas transformações tecnológicas, o que deve mexer com a rotina de trabalho de vários profissionais. Um levantamento da Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP) mostra que 67% das propriedades agrícolas brasileiras já adotaram algum tipo de inovação tecnológica, dentro ou fora do campo. Entre os recursos aplicados, estão drones para o controle de plantio, o uso da Internet das Coisas (IoT) para monitorar dados sobre previsão meteorológica, qualidade do solo e detalhes das máquinas, além da Biotecnologia e da Inteligência Artificial (IA) para automatizar os processos. “O uso de drones, por exemplo, abre uma série de oportunidades de emprego. Eles serão utilizados para monitorar áreas cultivadas e analisar com maior precisão questões do clima em determinadas regiões. Serão necessárias pessoas que saibam transportá-lo, façam as fotos e saibam interpretá-las”, comenta Morais.

Mas o avanço do agronegócio traz desafios. O principal deles é o aumento da produção de uma maneira sustentável, pois impactos na área ambiental podem criar uma imagem negativa para as exportações brasileiras. O próprio controle dessa expansão, porém, pode gerar novas oportunidades. “Serão requeridos empregos voltados à fiscalização (no setor público) e às consultorias ambientais (economistas e advogados especialistas) para elaborar e analisar relatórios de instalação e impacto ambiental”, aponta a professora Stela Ansanelli.

Cursos beneficiados: Agroecologia, Agronegócios e Agropecuária, Agronomia, Bioquímica, Biotecnologia, Ciência da Computação, Ciência e Tecnologia de Alimentos, Ciências Agrárias, Direito Ambiental, Economia, Engenharia Agrícola, Engenharia Ambiental, Engenharia de Alimentos, Engenharia de Biossistemas, Engenharia de Sistemas, Gestão Ambiental, Medicina Veterinária e Zootecnia.

Desenvolvimento tecnológico
Em uma velocidade surpreendente, a tecnologia está invadindo todas as áreas do cotidiano e transformando a forma como os seres humanos vivem, trabalham e se comportam. Aqui, vale a máxima: todo mundo está conectado o tempo todo. Na Era Tecnológica ou Era da Informação, como é chamado o momento atual, os profissionais que tiverem a capacidade de moderar as relações entre as pessoas e as máquinas terão destaque no mercado de trabalho.

Um dos campos que mais tendem a crescer é o da Internet das Coisas (IoT), que diz respeito à conectividade de objetos. Automóveis, aparelhos eletrônicos e sistemas de segurança, por exemplo, vão se conectar à internet para realizar atividades em rede. Computação em nuvem, automação de processos e Big Data (processamento e análise de um grande volume de informações) são outras tecnologias que vieram para ficar. Elas podem ser vistas em bancos e sistemas financeiros, no uso de braços robóticos em procedimentos cirúrgicos e nas inúmeras ferramentas online de marketing que captam dados sobre os clientes.

No setor industrial, o destaque é a Quarta Revolução Industrial, conhecida como Indústria 4.0, caracterizada pela comunicação entre as máquinas e a possibilidade de produção em larga escala, com customizações de acordo com as necessidades do consumidor. Isso envolve a utilização de IoT, Big Data, recursos de Inteligência Artificial e máquinas que fazem leitura de QR Code. “Trabalham com isso profissionais de dados, aqueles que lidam com interface de experiência do usuário, programadores, codificadores, engenheiros, especialistas em marketing e inteligência de mercado”, destaca o professor Nelson Yoshida, do Profuturo-FIA.

Presentes totalmente na vida das pessoas, os smartphones também têm papel importante no avanço tecnológico e vão continuar impulsionando o desenvolvimento de sistemas e aplicativos. “A área que mais cresce hoje dentro da tecnologia é a de desenvolvedores de softwares”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, Paulo Sardinha.

A maior confirmação da força dessa grande tendência é que hoje muitas vagas no campo da TI não são preenchidas por pura falta de profissionais, como esclarece Paula Esteves, sócia-diretora do Grupo Cia de Talentos, empresa do setor de RH: “Há uma escassez de talentos preparados para atender a essa demanda. Ao mesmo tempo que o profissional tem que ser especialista da área, ele precisa ter conhecimentos mais generalistas, com habilidades de relacionamento, comunicação, resolução de problemas, ser adaptável e entender que o mercado vai continuar mudando, e numa velocidade cada vez maior”.

Cursos beneficiados: Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Automação Industrial, Banco de Dados, Ciência da Computação, Design de Games, Engenharia e Controle de Automação, Engenharia de Computação, Engenharia de Software, Engenharia Eletrônica, Engenharia Mecânica, Engenharia Mecatrônica, Estatística, Gestão da Tecnologia da Informação, Marketing, Matemática, Nanotecnologia, Redes de Computadores, Segurança da Informação e Sistemas de Informação.

 

Novas exigências para os futuros profissionais

O mercado de trabalho está em constante movimento e as transformações, especialmente com a evolução da tecnologia, vão atingir todos, independentemente da profissão escolhida. “É fundamental que os profissionais mantenham suas habilidades atualizadas – o que chamamos de reskilling – e aprimoradas – upskilling – e que se mantenham abertos para aprender e se adaptar continuamente, mesmo que tenham acabado de sair da faculdade”, diz Luciana Caletti, vice-presidente para a América Latina da Glassdoor, plataforma digital com atuação na área de recursos humanos.

Dentro do mercado, por causa de todas essas mudanças, também há características que são cada vez mais valorizadas e que serão importantes para o profissional que vai se formar no futuro. Paula Esteves, sócia-diretora do Grupo Cia de Talentos, aponta algumas delas, como a capacidade de resolver problemas complexos, a criatividade, a inteligência emocional, a adaptabilidade a diferentes cenários e possibilidades, a capacidade de negociação e o foco no cliente.

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