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A jornada da escolha profissional

Escolha Profissional

1ª PARADA: Conheça melhor a si mesmo

O autoconhecimento é o ponto de partida para qualquer trajetória de escolha profissional. Você precisa se conhecer bem para que consiga se imaginar exercendo determinada profissão. Lembre-se de que boa parte do seu dia será dedicada ao trabalho. Por isso, é importante ter interesse pelas atividades que compõem a rotina dele. É isso que manterá a sua motivação e a vontade de se dedicar à carreira. Nessa etapa da jornada, é preciso mergulhar em uma análise profunda sobre você, considerando suas preferências, características pessoais, valores e experiências de vida.

O que fazer: Com um caderno em mãos, para deixar suas ideias mais organizadas, reflita sobre as questões abaixo e vá anotando as respostas:

 

  • Quais atividades você gosta de fazer em seu tempo livre?
  • O que gosta de ler, assistir na TV e pesquisar na internet?
  • Você é uma pessoa mais introvertida ou extrovertida?
  • Tem maior interesse por atividades que demandam planejamento ou pelas que colocam a “mão na massa”?
  • Gosta de se relacionar com várias pessoas ou se sente mais confortável em grupos menores ou sozinho?
  • Em um trabalho escolar, você normalmente:
    • Acaba fazendo tudo?
    • Interessa-se por mexer com a capa e a diagramação do texto?
    • Faz a pesquisa?
    • Distribui as tarefas e cobra resultados?
    • Não faz nada, apostando nos colegas do grupo?
  • Quais são suas principais habilidades e pontos fortes? E os seus defeitos e pontos fracos?
  • Quem você admira? Gostaria de seguir o mesmo caminho que essa pessoa?
  • Em quais tarefas se sente desconfortável? E quais atividades não faria de jeito nenhum?
  • Você dá mais importância para a realização pessoal ou se preocupa mais com o lado financeiro?

 

Se preferir, esse exercício pode ser feito junto com um amigo que esteja na mesma situação que a sua, na dúvida sobre qual profissão seguir. Assim os dois refletem juntos.
Após finalizar, use as respostas para elaborar uma lista, priorizando as características e preferências mais importantes. Você vai usar a lista na 4.ª Parada dessa jornada.

 

2ª PARADA – Pense na sua trajetória escolar

Depois de mergulhar em uma reflexão interior ampla, é hora de focar nos diversos anos que passou estudando, pois sua vida escolar pode dizer muito sobre seu perfil. Porém, tome cuidado: não é porque você tinha um bom desempenho nas matérias da área de biológicas, por exemplo, que é preciso procurar um curso superior em Biologia ou Química. Esse é apenas um indicador a mais que não pode ser ignorado. Tenha em mente também que muitas vezes os professores exercem forte influência no interesse ou não pelas disciplinas que você faz até o ensino médio.

O que fazer: Retorne ao seu caderno de anotações e tente responder:

 

  • O seu desempenho era melhor em qual disciplina?
  • Em quais matérias tinha mais facilidade para assimilar?
  • Em quais assuntos tinha mais dificuldade?

 

Nesta fase, considere inclusive outras atividades: se participou de grêmios estudantis, se foi representante de sala, se ajudou a organizar eventos na escola. Inclua as respostas encontradas aqui na lista de prioridades que você iniciou na etapa anterior.

 

3ª PARADA – Analise as influências recebidas

Prestar atenção nas influências que recebeu dos seus pais e amigos ao longo da vida é a próxima parada no processo de escolha profissional. É muito comum pensar em ser médico, por exemplo, porque essa é profissão de alguém da família. Ou pensar em cursar Engenharia porque sempre ouviu dos colegas de classe que você manda muito bem nas matérias de exatas. Não tem problema nenhum seguir esse raciocínio, desde que essas escolhas realmente façam sentido para você.

Às vezes os pais têm expectativas e sonham com algumas carreiras para os filhos, o que é normal, porque eles querem vê-los felizes e bem-sucedidos. Ou, ainda, querem projetar nos filhos as profissões que gostariam de ter feito. Mas se isso não for o que você realmente quer, é preciso coragem para quebrar esse ciclo.

O que fazer: Aqui, o importante é pegar essas influências recebidas e discuti-las abertamente. Por isso, fale com seus pais sobre as escolhas deles, sobre os ganhos e as dificuldades com a profissão que seguiram. Em geral, isso abre portas para outras conversas e também para você receber uma ajuda na busca de novas opções de cursos.

 

4ª PARADA – Explore melhor as profissões

Existem mais de 200 profissões no mercado de trabalho, e isso falando apenas de carreiras para quem tem formação superior. As opções vão, literalmente, de A a Z, desde o curso de Administração até o de Zootecnia. E muitas outras graduações vêm surgindo nos últimos anos, como Gestão de Seguros, Musicoterapia, Educomunicação…

Você precisa buscar o máximo de informações possíveis sobre as profissões que te despertam algum interesse. Para isso, além do que você já encontra aqui no Guia da Faculdade, dá para recorrer a sites das instituições de ensino superior, a canais no YouTube que abordam essa temática e a sites especializados – como o do Quero Bolsa, parceiro do Estadão nesta publicação.

O que fazer: Para organizar seu trabalho, você pode dividir suas pesquisas pelas oito áreas de conhecimento que usamos aqui no Guia da Faculdade: Administração e Negócios; Ciências Biológicas e da Terra; Saúde e Bem-estar; Ciências Sociais e Humanas; Comunicação e Informação; Artes e Design; Ciências Exatas e Informática; Engenharia e Produção. Identifique dentro de cada área as profissões que mais te interessam e depois pesquise o que o profissional faz, suas áreas de atuação e perspectivas para o futuro.Tente conhecer o maior número de carreiras.

Com todas as informações em mãos, é hora de resgatar a lista de prioridades pessoais do seu caderninho e cruzá-la com as características que encontrou em cada profissão pesquisada. Ao fazer esse “match”, você vai descartar algumas carreiras e ficar com um leque mais restrito de opções.

 

5ª PARADA – Mergulhe fundo em alguns cursos

Com um número menor de profissões para considerar, você pode partir para uma outra etapa de pesquisa, aprofundando-se mais nas profissões que restaram da etapa anterior. O foco agora deve ser nos detalhes, em descobrir as características dos cursos nos quais você poderá estudar e identificar se o que você verá durante a faculdade corresponde às suas expectativas.

O que fazer: Acesse sites de diferentes instituições de ensino superior que oferecem os mesmos cursos e obtenha mais informações. Analise as grades curriculares, veja se as aulas são mais teóricas ou práticas, se existem muitas matérias envolvendo cálculo, laboratórios ou redação.

Após essa nova fase de pesquisa, faça uma lista com as profissões finalistas, que de fato condizem com o que você imaginava. Tente colocar, no máximo, três opções para ir afunilando sua decisão.

 

6ª PARADA – Visite as faculdades

Este é o momento de sair do mundo virtual e pousar no real. Dá um pouco mais de trabalho, é verdade, mas pode ser muito útil visitar instituições de ensino que ofereçam os cursos que estão entre os seus “finalistas”. Algumas faculdades até abrem a possibilidade para você assistir a uma aula. Outra vantagem da visita presencial é aproveitar para entender melhor o ambiente universitário e, enfim, se preparar para a transição do ensino médio para o ensino superior.

O que fazer: Entre em contato com as instituições escolhidas para se informar sobre como funcionam as visitas. Uma boa opção é aproveitar eventos organizados pela faculdades, como feiras de profissões e dias de “câmpus aberto”, nos quais elas montam uma programação especial para os visitantes.

Na instituição, troque ideias com professores e alunos e tire todas as suas dúvidas. Não tenha vergonha de perguntar. Questione-os a respeito dos aspectos que mais e menos gostam no curso, as principais matérias estudadas, como são as aulas práticas, se há atividades extracurriculares, as áreas de atuação do profissional no mercado de trabalho e como é a procura por estágio.

 

7ª PARADA – Descubra a rotina profissional

Tão fundamental quanto se autoconhecer e pesquisar sobre os cursos é saber como é o dia a dia da profissão escolhida. Lembre-se de que você passará muito mais tempo no mercado de trabalho, vivendo a rotina daquela carreira, do que na faculdade se preparando para ela. Conhecer detalhes sobre esse dia a dia vai te trazer maior segurança para a sua escolha.

O ideal é ver de perto o ambiente profissional, mas você também pode procurar no YouTube depoimentos e vídeos de profissionais falando sobre suas carreiras.

O que fazer: Procure entre amigos e parentes alguém que trabalhe na área do seu interesse. Se você não conhece ninguém, as redes sociais são outro caminho para encontrar os especialistas: busque grupos de alunos do curso no Facebook. Eles costumam ser acessíveis e auxiliam nesses contatos.

Agende uma visita ao local de trabalho do profissional. Ao chegar lá, analise o ambiente, veja se o clima é mais formal ou informal, se os horários são flexíveis, como os funcionários se relacionam.

Algumas perguntas que você pode fazer:

 

  • Como é o dia a dia na profissão?
  • Quais são as principais tarefas?
  • O mercado de trabalho está aquecido?
  • Quais características são importantes para ser um profissional bem-sucedido na área?

 

8ª PARADA – Considere as tendências

A profissão que está se destacando até aqui como a sua “escolhida” pode não estar com o mercado de trabalho aquecido atualmente. E aí, que decisão tomar? É preciso tomar cuidado para não considerar as tendências como um fator determinante na sua escolha. Em alguns casos, o cenário pode mudar em poucos anos ou, então, você pode se reinventar dentro de uma área que hoje esteja mais “em baixa”.
Mesmo assim, é imprescindível que você tenha consciência dessas tendências para confirmar suas convicções e para não ser surpreendido no futuro.

O que fazer: Para investigar a situação do mercado de trabalho de uma profissão, você precisa ir atrás de dados. Procure saber qual é o porcentual de empregabilidade entre os recém-formados, quais são as áreas de atuação que empregam mais e qual é a remuneração média na carreira. Sites das instituições de ensino e sites especializados em carreiras são novamente boas opções para as pesquisas.

Essas informações trazem um retrato atual do mercado de trabalho, mas é importante também pesquisar sobre tendências que trazem impactos a médio e longo prazo, como o avanço da tecnologia nos mais diferentes setores.

 

9ª PARADA – Olhe para o futuro

Você está quase chegando ao fim dessa difícil escolha profissional! Agora é hora de fazer uma última reflexão importante. Você deve ter em mente que a opção por uma carreira deve sempre se alinhar a um projeto de vida. Quando isso não acontece, as possibilidades de você desistir no meio do caminho são enormes. Por isso, é preciso projetar e refletir um pouco sobre o futuro.

O que fazer: Você vai usar seu supercaderno de anotações pela última vez, para responder às questões abaixo, imaginando como você estará daqui a 10 ou 15 anos:

 

  • Você está feliz realizando as tarefas da sua profissão?
  • Qual é o seu estilo de vida? Isso lhe agrada?
  • O que ainda pretende conquistar com essa carreira?

 

Se as respostas forem positivas, é um bom sinal de que você chegou ao final da sua jornada.

 

10ª PARADA – Procure ajuda para a decisão

Esta última parada pode ser necessária para quem não conseguiu definir um destino até aqui. Se mesmo depois de transitar por todo esse roteiro ainda existirem inseguranças e dúvidas para a tomada de decisão em relação à carreira, você pode buscar a ajuda especializada dos orientadores profissionais.

O que fazer: Existem diversas formas de trabalho dos orientadores profissionais que podem se adequar às suas possibilidades. O atendimento em clínicas particulares pode ser feito de maneira individual ou em grupos (o que torna mais acessível o preço das consultas). Muitas faculdades de psicologia também aceitam inscrições para a oferta gratuita desse tipo de atendimento.

Essa ajuda pode ser o passo final que faltava para você se sentir mais confiante e saber que escolheu o rumo certo a seguir.

 

E os testes vocacionais?

Os testes podem ser usados como um elemento a mais no processo de orientação profissional. O ideal não é apoiar sua escolha somente nisso. No final, é necessário considerar todas as peças do quebra-cabeça. O ideal é que os testes vocacionais sejam conduzidos por um psicólogo especialista na área.

E os testes encontrados na internet? Se você quiser realizá-los, tudo bem. Mas não ache que eles trarão uma resposta definitiva. Encare-os mais como uma atividade que ajuda a levantar questões a ser exploradas sobre seu jeito de ser, suas preferências e seus aspectos fortes e fracos. Eles podem ser a largada para identificar cursos sobre os quais você vai dedicar maior atenção nas suas pesquisas.

 

Uma escolha, várias trilhas

Ter a responsabilidade de fazer uma escolha profissional tão jovem envolve muitos medos. Um deles é o receio do que se perde ao abrir mão de um curso por outro ao tomar sua decisão. É preciso ter em vista, porém, que, cada cada vez mais, as profissões estão interligadas, e uma única formação pode abrir possibilidades para diferentes trilhas. É possível cursar Publicidade e Propaganda e trabalhar com cinema, por exemplo. Ou se formar em Engenharia Civil e atuar na área financeira.

Ao longo da vida, você também vai passar por muitas mudanças e, às vezes, podem surgir outras necessidades e desejos que a profissão escolhida talvez não satisfaça mais. Diante disso, você poderá mudar de rumo ao procurar por cursos de pós-graduação ou de extensão em outras áreas.

Roteiro construído com orientação de Maria Stella Leite, psicóloga, orientadora profissional na Colmeia – Instituição a Serviço da Juventude e autora do livro Série O que fazer? Orientação profissional (2018 – Editora Blucher), e de Maria da Conceição Uvaldo, psicóloga do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP).

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