O período é de silêncio no quartel-general do Banco Carrefour no Brasil (CSF), pelo menos até que nasça a tão aguardada operação de abertura de capital que já está em gestação há mais de dois anos. No dia 24 de maio, o grupo protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o pedido para a oferta inicial de ações, uma prova de que os negócios vão bem. Tanto que o CSF liderou o ranking da categoria bancos de montadoras e grupos de Finanças Mais, seguido por John Deere e CNH Industrial Capital.

Considerado uma das maiores redes de varejo no Brasil, a receita bruta do grupo chega a R$ 49 bilhões anuais, de acordo com os controladores franceses. Sua história financeira no País começou em 1989, com o lançamento do cartão de crédito Carrefour.

Em maio de 2007, a administradora de cartões de crédito do Carrefour foi autorizada pelo Banco Central a atuar como uma instituição financeira. De acordo com o perfil corporativo do grupo, o Carrefour tem hoje “um portfólio variado de produtos financeiros criados com cuidado para satisfazer e atender às diferentes necessidades dos clientes”.

O Cartão Carrefour oferece vantagens, como promoções diárias e opções diferenciadas para parcelar as compras nas lojas da rede, além de saque rápido, pagamento de contas e parcelamento de fatura.

O Banco John Deere, segundo colocado neste ranking de Finanças Mais, está entre as maiores fontes de financiamento ao consumidor nos Estados Unidos e atua também no Canadá, México, na Austrália, Inglaterra, França, Alemanha e no Brasil.

A instituição informa que realiza operações de leasing de equipamentos industriais e agrícolas, materiais para manutenção de quadras, gramados, barcos e veículos de recreação, além de financiamento no crédito para a compra de insumos agrícolas.

Com sede em Indaiatuba (SP), o John Deere atua em todo o País e destina linhas de crédito específicas para a compra de maquinário agrícola e de construção e movimenta uma carteira de R$ 4 bilhões.
Para o CNH Industrial Capital, terceiro colocado, 2016 foi difícil como para todos os bancos, em razão do encolhimento da atividade econômica. O que compensou esse movimento foi o agronegócio, área de forte atuação do CNH Capital. O banco financia desde a venda de tratores de R$ 40 mil até grandes colheitadeiras agrícolas da marca New Holland, no valor de até R$ 1 milhão, com recursos de repasse do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“Mesmo com a recessão, nosso grande negócio mantém-se na agricultura, cerca de 80% da nossa carteira de crédito. O restante se distribui em construção civil e financiamento de veículos comerciais da marca Iveco”, diz o presidente da CNH Industrial Capital, Carlo Alberto Sisto, um italiano de Torino que assumiu os negócios do grupo no Brasil em março de 2015.

“Mesmo com a recessão do ano passado, nosso grande negócio se manteve na agricultura, responsável por 80% da nossa carteira de crédito.” – Carlo Alberto Sisto, presidente da CNH Industrial Capital

O executivo diz estar otimista com os financiamentos do banco em 2017, depois de um ano de praticamente estabilidade em 2016. “Crescemos em média 5% ao ano. Em 2016, isso não ocorreu, mas agora, no primeiro semestre de 2017, retomamos esse ritmo”, afirma. Questionado sobre o atual cenário político-econômico do País, ele diz que está otimista com a equipe econômica: “Enfrentamos problemas no setor político, mas acredito na recuperação da atividade econômica em razão da condução dada por seus responsáveis”.

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